Sessions quer pena de morte para atirador

Sessions quer pena de morte para atirador

Procurador-geral anuncia que vai solicitar denúncia por crime de ódio contra Robert Bowers, autor do ataque que deixou 11 mortos em uma sinagoga em Pittsburgh. Atirador será apresentado hoje à Justiça

postado em 29/10/2018 00:00
 (foto:  Brendan Smialowski/AFP)
(foto: Brendan Smialowski/AFP)



Robert Bowers, o homem que invadiu a Sinagoga Árvore da Vida, em Pittsburgh, no estado americano da Pensilvânia, será apresentado hoje à Justiça. No ataque, na manhã de sábado, 11 pessoas morreram ; oito homens e três mulheres ; e seis ficaram feridas. Segundo o promotor do distrito oeste do estado, Scott Brady, o atirador foi indiciado por 29 acusações, sem detalhá-los. O procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, anunciou que vai solicitar a denúncia por ;crime de ódio; e pedir a pena de morte para Bowers.

;Esses alegados crimes são condenáveis e absolutamente repugnantes à luz dos valores da nossa nação. Portanto, o Departamento de Justiça vai pedir acusações de crime de ódio e outros contra o autor do atentado, incluindo acusações que podem levar à pena de morte;, assinalou Jeff Sessions, em comunicado. ;O ódio e a violência baseados na religião não têm lugar na nossa sociedade;, disse Sessions.

Ontem, dia seguinte à tragédia, detalhes foram divulgados pelas autoridades locais, enquanto a comunidade judaica, bastante abalada, prestou homenagens às vítimas. ;Durante o curso de seu ataque mortal contra as pessoas na sinagoga, Bowers citou o genocídio e seu desejo de matar os judeus;, afirmou Scott Brady. Segundo vários veículos de comunicação, o homem gritou: ;Todos os judeus devem morrer;. Bowers estava armado com um fuzil semiautomático AR-15 e três revólveres. Ferido durante troca de tiros com policiais, ele foi operado e continuava hospitalizado em condição estável ontem.

As autoridades estimaram em uma semana o tempo necessário para periciar e limpar a cena do crime, classificada como pertubadora pelo diretor de segurança pública de Pittsburgh, Wendell D. Hissrich. Ontem, foi divulgada a identificação das vítimas, com idade entre 54 e 97 anos, todas moradoras da região. Morreram o casal Sylvan e Bernice Simon, de 86 e 84 anos, respectivamente; os irmãos Cecil e David Rosenthal, de 59 e 54; Joyce Fienberg, 75; Richard Gottfried, 65; Rose Mallinger, 97; Jerry Rabinowitz, 66; Daniel Stein, 71; Melvin Wax, 88; e Irving Younger, 69.

Conspiração

O FBI informou que Bowers, 46 anos, não tinha ficha na polícia. Mas, ao que tudo indica, é o autor de uma série de publicações antissemitas na internet, em especial no site Gab.com, onde são publicadas teorias da conspiração. Uma frase na página do atirador afirmava: ;Os judeus são filhos de satã;, de acordo com imagens de tela de sua conta, obtidas pelo grupo SITE, que monitora movimentos extremistas. Depois do ataque, o perfil foi suspenso.

A página Gab, lançada em 2016, com base no modelo do Twitter, foi obrigada a interromper suas atividades. O site informou que a Joyent, empresa que dá acesso a internet, vai cessar seus serviços a partir de hoje.

O ataque aconteceu em um momento de grande tensão nos Estados Unidos, um dia depois de um seguidor do presidente Donald Trump, na Flórida, ter sido detido e acusado de enviar 13 bombas a opositores do presidente dos Estados Unidos, um caso que aumenta ainda mais a pressão no país a poucos dias das eleições legislativas.

Armas
;Sabemos que o ódio nunca prevalecerá, que aqueles que tentarem nos dividir por causa de nossa maneira de orar ou pela origem de nossas famílias perderão;, declarou o prefeito de Pittsburgh, Bill Peduto. O democrata também relançou o espinhoso debate sobre as armas de fogo, enquanto massacres como esse são comuns nos Estados Unidos.

;Eu ouvi o presidente (Donald Trump) dizer que devemos armar os guardas em nossas sinagogas;, declarou. Em seguida, se contrapôs à ideia: ;Nossa abordagem deveria ser: como retirar armas de fogo, que são o denominador comum de todos os tiroteios na América, das mãos daqueles que querem expressar seu ódio racista com assassinatos;. O ataque à sinagoga foi o 23; tiroteio do mês nos EUA, onde as armas de fogo estão vinculadas a mais de 30 mil mortes por ano.

Trump voltou a falar sobre o ataque ontem, classificando-o como um ;enlouquecido ato de assassinato em massa;. ;Não deve haver tolerância para o antissemitismo;, reafirmou. ;A América é mais forte que os atos de um antissemita perverso e sectário;, declarou Ivanka, filha do presidente, convertida ao judaísmo.

O presidente americano, que estava em campanha no estado de Illinois, anunciou que viajará a Pittsburgh, sem dar maiores detalhes sobre a viagem. Além disso, determinou que as bandeiras dos Estados Unidos permaneçam a meio mastro em todo o país até 31 de outubro em sinal de ;respeito solene; às vítimas do massacre.

Em Pittsburgh, vigílias foram organizadas nas proximidades da sinagoga, fundada há mais de 150 anos e localizada em Squirrel Hill, coração da vida judaica na cidade. Dezenas de pessoas se reuniram e rezaram com velas nas mãos. Moradores do bairro saíram de suas casas para oferecer café aos policiais que formavam, sob a chuva, um cordão de isolamento para impedir o acesso ao templo.


;O ódio e a violência baseados na religião não têm lugar na nossa sociedade;
Jeff Sessions, procurador-geral dos EUA


As vítimas do atentado

Joyce Fienberg,
75 anos
Richard Gottfried,
65 anos
Rose Mallinger,
97 anos
Jerry Rabinowitz,
66 anos
Cecil Rosenthal,
59 anos
David Rosenthal,
54 anos
Bernice Simon,
84 anos
Sylvan Simon,
86 anos
Daniel Stein,
71 anos
Melvin Wax,
88 anos
Irving Younger,
69 anos



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