Secretariado indefinido

Secretariado indefinido

Ibaneis Rocha diz ter apenas um nome certo para o seu governo, o de André Clemente Lara para a Secretaria da Fazenda. O emedebista pensa em aumentar o número de pastas, desde que não haja aumento de gastos

Helena Mader
postado em 29/10/2018 00:00
 (foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 13/3/08)
(foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 13/3/08)

Apesar de ter liderado a corrida eleitoral no segundo turno com 75% de intenções de voto nas pesquisas, Ibaneis Rocha (MDB) evitou qualquer rumor sobre a escolha do secretariado. O advogado não queria ;colocar o carro na frente dos bois;, como justificou, e desautorizava aliados que tentassem negociar cargos. Mesmo após a eleição, a formação do primeiro escalão ainda está indefinida. O governador eleito quer nomes novos para compor a equipe. Ele não descarta ouvir os distritais eleitos, mas garante que não haverá pessoas denunciadas por corrupção em sua gestão.

Só um nome está confirmado por Ibaneis para compor o secretariado: seu coordenador de campanha, André Clemente Lara, vai comandar a pasta da Fazenda. Advogado e contador, auditor da Receita de carreira, ele ocupou o cargo em 2010, durante o governo tampão de Rogério Rosso. André Clemente atuou como um dos colaboradores mais próximos da campanha de Ibaneis e sempre foi apontado como um possível secretário da Fazenda ou do Planejamento. ;É um cara que conhece muito a cidade, vai me ajudar a melhorar a arrecadação;, justifica Ibaneis.

O governador eleito ainda não escolheu um nome para a pasta que deve ser a mais cobrada durante sua gestão: a Saúde. Mas ele tem conversado muito com o médico oftalmologista Canrobert Oliveira. ;Ele disse que, com pouquíssimo recurso, consegue fazer todas as cirurgias de catarata que o Distrito Federal precisa;, comentou. ;Acho que o secretário de Saúde tem de ser uma pessoa que converse com todos os profissionais da área. Quero uma pessoa que tenha interlocução. Não precisa ser um médico, mas, se for, melhor;, comentou. ;Quero que, embaixo dele, estejam pessoas técnicas, que façam uma gestão da política da saúde, que façam compras no tempo certo, que deem atenção às regionais hospitalares e cuidem da atenção básica;.

Ibaneis conta que, desde que não haja aumento de gastos, ele poderá aumentar o número de pastas. Ele cita o exemplo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que tem 50 comissões. No caso da saúde, por exemplo, ele cogita criar uma Secretaria de Atenção Básica, separando a atuação das equipes de saúde da família da parte hospitalar. ;Se eu conseguir ter um secretário de Atenção Básica e um secretário de Saúde para cuidar das duas coisas separadamente, acho que vai melhorar. Não tenho problema em criar secretarias. Acho que é preciso enxugar o tamanho delas para não virar cabide de empregos;.



Articulação

O governador eleito pretende comandar, pessoalmente, a articulação política. ;Gosto de fazer isso;, explica. Mas ele teceu elogios ao deputado federal Vítor Paulo (PRB-DF), um dos relatores do orçamento da União no Congresso Nacional. ;Ele tem um excelente relacionamento e está nos ajudando nas emendas;.

Ele não descarta nem mesmo convidar pessoas que atuaram na gestão do governador Rodrigo Rollemberg, caso avalie que têm um perfil técnico. Cita como exemplo o secretário de Turismo, Jaime Recena. ;Gosto muito dele;, afirma. Depois de quase uma década de atuação na Ordem dos Advogados do Brasil, Ibaneis Rocha reconhece que tende a convidar colegas de profissão para algumas pastas.

Um dos nomes que gostaria de ter em sua gestão é a advogada Estefânia Viveiros. A ex-presidente da OAB-DF e aliada do governador eleito pode ser convidada para a pasta da Justiça. Mas Ibaneis reconhece que a colega dificilmente deixaria a Ordem para compor o secretariado do GDF.

Para a escolha do secretário de Segurança, Ibaneis Rocha pretende ouvir o presidente da República eleito, Jair Bolsonaro (PSL). ;Ele vem dessa área de segurança e acho que a capital da República é um local que ele tem de dar como exemplo. Se ele estiver a fim de ajudar na indicação, vou aceitar com muito carinho. O exemplo tem de ser dado a partir do Distrito Federal, então vamos começar com o presidente eleito;, afirma o governador.

O deputado distrital eleito Iolando, do PSC, é apontado como um nome forte para comandar uma nova pasta: a de pessoas com Deficiência. Ibaneis diz que quer evitar priorizar indicações políticas, mas garante que pretende ouvir os distritais. Apesar das especulações, o ex-vice-governador Tadeu Filippelli não terá cargos no governo. A nora do emedebista, Ericka Filippelli, no entanto, deve integrar a gestão. Ela é atuante no MDB Mulher nacional e disputou o cargo de deputada distrital.



;Acho que o secretário de Saúde tem de ser uma pessoa que converse com todos os profissionais da área. Quero uma pessoa que tenha interlocução. Não precisa ser um médico, mas, se for, melhor. Quero que, embaixo dele, estejam pessoas técnicas, que façam uma gestão da política da saúde, que façam compras no tempo certo, que deem atenção às regionais hospitalares e cuidem da atenção básica;
Ibaneis Rocha, governador eleito







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