Boa relação com Bolsonaro

Boa relação com Bolsonaro

PEDRO GRIGORI Especial para o Correio
postado em 29/10/2018 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press - 5/9/18
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(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press - 5/9/18 )

Ibaneis Rocha (MDB), que comandará o Palácio do Buriti a partir de 1; de janeiro, pretende manter um bom entrosamento com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Nas últimas semanas de campanha, o emedebista relacionou o seu nome diversas vezes ao do capitão da reserva, mas afirmou que só declararia voto após ouvir as propostas do candidato do PSL para Brasília.

Em 2017, o Distrito Federal recebeu R$ 13 bilhões do Fundo Constitucional ; a maior receita líquida repassada a uma unidade da Federação. Ter uma relação ruim com o presidente da República não põe em risco a verba recebida, mas, para especialistas, pode impossibilitar recursos extras.

Ao Correio, Ibaneis afirmou que votou em Bolsonaro para presidente. No DF, o candidato do PSL teve 1.080.411 de votos, 69,99% do total. Ibaneis recebeu 1.042.574 (69,79%). Pela proximidade das votações, especialistas acreditam que os futuros chefes dos palácios do Buriti e do Planalto têm eleitorado semelhante.

Neste mês, durante carreata na Candangolândia, Ibaneis afirmou que ;quem quer Bolsonaro vota 15 e vira bolsoneis;. ;Acredito que ele (Bolsonaro) vai olhar com apreço para Brasília, porque morou aqui por muito tempo e tem uma esposa que é de Ceilândia;, destacou o governador eleito.

Afinidade ajuda

O professor de Análise Política na Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas explica que é importante para o governador ter o máximo possível de intimidade com o presidente. ;Ter maior afinidade possibilita ser incluído em outros projetos, grupos de trabalho e em ações acima do âmbito do DF. Se a relação for ruim, o governador terá que trabalhar por conta própria, e inviabiliza e impede recursos extras.;

O especialista acredita que Bolsonaro terá uma boa relação com Brasília, devido, principalmente, a votação expressiva do político do PSL no DF. ;Houve o slogan ;Mais Brasil e menos Brasília;, que acabou sendo mal-entendido. O sentido é de menos decisões tomadas centralmente, e mais tomadas ouvindo todas as unidades da Federação. O brasiliense casou dois votos, de governador com presidente, votando em Bolsonaro e Ibaneis, então há uma expectativa que haja essa interlocução;.

Diálogo na Câmara

Dos três nomes que vão ocupar as cadeiras do DF no Senado Federal a partir de 2019, um apoia abertamente Bolsonaro: Izalci Lucas (PSDB). O futuro senador afirma que ajudará o capitão da reserva no Congresso Nacional e que quer ;exterminar o comunismo e o socialismo no Brasil;. Leila do Vôlei (PSB) e Reguffe (sem partido) se mantêm neutros.
Dos oito deputados federais que assumem as cadeiras do DF em 2019, quatro atuarão ao lado de Bolsonaro: Bia Kicis (PRP), Celina Leão (PP), Júlio Cesár (PRB) e Luis Miranda (DEM). Paula Belmonte (PPS) se manteve neutra e Flávia Arruda (PR) não se pronunciou. Erika Kokay (PT) e Professor Israel (PV), que abriram voto para Fernando Haddad (PT), se colocaram como oposição ao futuro presidente.

Erika lamentou a vitória de Bolsonaro pelas redes sociais. ;Tivemos uma derrota eleitoral, mas ganhamos na política. Lua de mel do povo com Bolsonaro não dura três dias;, escreveu no Twitter. ;Vamos continuar semeando amor. Bolsonaro foi eleito democraticamente para açoitar a democracia. Entramos num capítulo sombrio do golpe. Faremos resistência incansável contra todo tipo de arbítrio e autoritarismo;, completou a petista.

Já Bia Kicis, que se elegeu com o slogan ;a federal do Bolsonaro no DF;, comentou pelas redes sociais que ;começa hoje um novo tempo, tempo de liberdade, valores, honestidade, patriotismo e amor;.

"Ter maior afinidade possibilita ser incluído em outros projetos, grupos de trabalho e em ações acima do âmbito do DF. Se a relação for ruim, o governador terá que trabalhar por conta própria, e inviabiliza e impede recursos extras;
Ricardo Caldas, professor de Análise Política na UnB


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