Expectativa de diálogo

Expectativa de diálogo

Entidades do setor produtivo prometem cobrar do futuro governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), as promessas feitas durante a campanha. Entre as principais demandas de empresários está a redução de impostos

PEDRO GRIGORI VICTOR GAMMARO ESPECIAIS PARA O CORREIO
postado em 29/10/2018 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 4/4/13
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(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 4/4/13 )

Ao sentar na cadeira de governador do Distrito Federal a partir de janeiro do próximo ano, Ibaneis Rocha (MDB) terá como uma das missões aquecer o setor produtivo da capital federal. Entidades que representam a categoria reagiram positivamente à eleição do emedebista, mas relembraram que o futuro governador fez diversas promessas durante a campanha e que eles atuarão como fiscalizadores para garantir que Ibaneis as cumpra.

No plano de governo, Ibaneis destaca a necessidade de políticas de incentivos fiscais, creditícios e econômicos, redução da burocracia, entre outros, para colocar o DF ;na estrada do desenvolvimento econômico e sustentável; (leia quadro). Um dos principais pontos em que o futuro chefe do Executivo local pretende investir é na facilitação da abertura de empresas. O objetivo é que o processo dure até 48 horas.

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio/DF), Adelmir Santana, vê com bons olhos o investimento no microempreendedor, ele acredita que é necessário facilitar não só a abertura de mais empresas, mas também o acesso a crédito. Adelmir completa afirmando que Ibaneis deve fazer uma boa gestão. ;Temos as melhores expectativas possíveis, mas pedimos que o governo se distancie de hábitos da velha política. Queremos que seja um governo moderno, sem vícios de políticos anteriores;, aponta.

Devido ao número de promessas feitas por todos os candidatos durante a corrida pelo Palácio do Buriti, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista), Edson de Castro, acredita que o futuro governador deve ter controle dos gastos para não comprometer o funcionalismo da cidade. ;Sempre temos de ficar atentos para que haja dinheiro para pagamentos dos funcionários do setor, a cidade não pode parar. Ibaneis tem de colocar em prática tudo o que promete. Precisamos que haja diminuição dos impostos, muitas lojas fecham por causa disso e o desemprego aumenta;, analisa.

No último mês, a Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF) se reuniu com os seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto e entregou uma carta com propostas para o setor. Ibaneis foi um dos que recebeu o material e se comprometeu a cumpri-las. ;São propostas simples, que podem ser realizadas sem prejuízos para outras categorias. Uma delas é a retirada da Difal da alíquota, e também o começo de um projeto-piloto de revitalização da W3 Sul;, explicou o presidente da CDL-DF, José Magalhães.

A entidade escolheu não apoiar nenhum candidato nesse pleito, mas o presidente conta que a relação com Ibaneis se mostrou frutífera. ;Ele entendeu nossas reivindicações, assumiu compromisso de realizá-los, e sinalizou que nossos pedidos são praticáveis.;

Já a Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF), que apoiou a candidatura de Rollemberg nas eleições de 2014, assumiu oposição ao socialista neste pleito. ;Temos uma profunda mágoa com ele. Rollemberg montou um secretariado ideológico, que não tinha experiência no campo operacional;, comenta Fernando Brites, presidente da entidade.

Para o empresário, a chave para o sucesso de Ibaneis Rocha é uma atenção especial para o setor produtivo. ;A produção local é o que paga as contas do Distrito Federal. Queremos que o novo governador enxugue os gastos com o serviço público, responsável por sugar grande fatia das receitas geradas;, critica o representante da ACDF.

Investimentos

Para a Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Ibaneis terá como desafio impulsionar novos setores da economia além do de serviços, que é o principal componente do Produto Interno Bruto (PIB) no DF. ;Desejamos uma gestão desenvolvimentista e competente, com foco especial em novas áreas econômicas, como a tecnologia;, explica o Jamal Bittar, presidente da entidade.

O Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar) pede que o novo governador tenha cuidado com as contas públicas, devido ao grande número de promessas feitas durante a campanha. ;Nos preocupamos com o grande número de promessas que o Ibaneis fez. Ele diz que já vai dar aumento para diversas categorias no primeiro dia de mandato, o que pode ter impacto nos fundos públicos;, alerta Jael Silva, presidente da entidade.

O Sindhobar e mais 25 entidades voltadas à área do turismo enviaram para Ibaneis, na última semana, um documento com pedidos em relação ao setor. ;Levantamos a importância da retirada da Difal da alíquota, pois o trânsito diferente dos impostos do DF está aumento os custos e reduzindo os lucros, isso está sendo muito negativo;, afirma Jael.

O representante da entidade explica também que o futuro governador deve levar em conta a importância de movimentar o cenário cultural e de eventos na capital federal. ;Temos espaços urbanos, como o Teatro Nacional, há anos sem nenhum tipo de atividade. Precisamos colocá-los em funcionamento. É necessário também uma Secretaria de Turismo atuante, com dinheiro suficiente para trazer eventos para cidade, o que aquecerá diversos setores;, explica.

Para saber mais

Conheça quatro compromissos de Ibaneis Rocha para o setor produtivo:
Projeto Nossa Capital: restaurar o setor produtivo, de comércio e serviços, com base nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU);
Programa Empreende Fácil: reduz o tempo de abertura de empresas para 48 horas, facilitando o investimento, a atividade privada e a criação de novos postos de trabalho. O programa ainda disponibilizará capacitação para os empreendedores e inovação tecnológica mediante parceria com institutos de pesquisa, universidades e representantes do setor de tecnologia;
Reduzir a Carga Tributária (impostos e taxas), desonerando a atividade produtiva, comércio e serviços para aumentar a competitividade de empresas estabelecidas no Distrito Federal, mediante compensação social dos benefícios auferidos;
Criar a Junta Comercial do Distrito Federal (JCDF). Vinculada ao GDF, será uma ação prioritária, para integrar todas as ações relativas ao registro do comércio e abertura de empresas, reduzindo prazos e melhorando a qualidade do atendimento ao cidadão.













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