Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

(cartas: SIG, Quadra 2, Lote 340 / CEP 70.610-901)

Mariana Niederauer mariananiederauer.df@dabr.com.br
postado em 29/10/2018 00:00
A democracia necessária

Minha casa amanheceu cheia de flores. Florida como o coração de todos os que, com carinho, me presentearam com o novo jardim a tomar conta da sala. Mas dormiremos hoje em um país dividido. Mais do que isso, fragmentado. Sairemos a juntar os cacos, as sobras dos erros do passado, os equívocos do presente e as falhas previstas para o futuro.

Sim, erramos muito. Com pleonasmos e sinônimos. Em todos os tempos. Em gênero, número e grau. O passado nos mostrou o quanto, e só o futuro dirá o tamanho dos pecados do presente.

Em um período de discussões políticas acirradas, venceu o medo. De quem votou em um candidato, ou no outro. De um lado, o temor do passado. Do outro, o do futuro. Mais uma vez, o tempo se impõe.

Tudo isso me fez lembrar uma poesia de resistência em forma de música. ;Nos perderemos entre monstros / Da nossa própria criação? / Serão noites inteiras

Talvez por medo da escuridão / Ficaremos acordados / Imaginando alguma solução / Pra que esse nosso egoísmo / Não destrua nosso coração?;

A canção é construída por questionamentos até hoje atuais e que se intensificam no refrão: ;Será só imaginação? / Será que nada vai acontecer? / Será que é tudo isso em vão? / Será que vamos conseguir vencer?;.

A Legião Urbana continua e, em meio a gritos de libertação, com notas entoadas a plenos pulmões, nos faz cantar contra a violência. ;Brigar pra quê, se é sem querer / Quem é que vai nos proteger? / Será que vamos ter que responder / Pelos erros a mais, eu e você?;

A decisão está tomada. E não acabou. É hora de acreditar na democracia, de lutar por um país com projeto. As escolhas apenas começaram com o novo ciclo democrático. Cada dia será dia de uma nova luta.

Mas a casa amanhecerá cheia de flores. E o amor que carregamos nos corações nos levará. Podem chamar de resistência, protesto, birra, desobediência. Não importa. Que, no fim, seja amor.




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