"Malta não vai ficar abandonado"

"Malta não vai ficar abandonado"

postado em 01/12/2018 00:00
 (foto: Youtube/Reprodução)
(foto: Youtube/Reprodução)


Após convidar a pastora Damares Alves, uma assessora do senador Magno Malta (PR-ES), para o Ministério dos Direitos Humanos, e frustrar a expectativa de que pudesse convidar o parlamentar para uma pasta, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, disse que o aliado não ficará ;abandonado;, mas que não deve assumir um ministério.;O Magno Malta é uma pessoa que me ajudou muito, que eu respeito. Não vai ficar abandonado, ele tem como participar do governo em outra função;, disse Bolsonaro em Cachoeira Paulista (SP), onde visitou o Santuário da Canção Nova. A função para Magno Malta, no entanto, não está definida. ;Existe campo para ele, sim. Mas, infelizmente, os ministérios estão se esgotando;, declarou.

Bolsonaro procurou afastar sua responsabilidade após deixar a bancada evangélica e pastores descontentes com a falta de convite a Magno Malta. ;Não fiz campanha prometendo absolutamente nada para ninguém, pretendemos aproveitar as boas pessoas, agora não podemos dar ministério para todo mundo;, disse.Em entrevistas que deu no Vale do Paraíba, Bolsonaro afirmou que faltam dois ministérios para oficializar os titulares, fazendo referência às Pastas do Meio Ambiente e dos Direitos Humanos. Questionado sobre a quantidade de ministérios no governo, Bolsonaro afirmou que ficará ;na casa dos 20; e próximo à metade do quadro atual. Na campanha, ele havia falado em reduzir para 15 pastas. Ele afirmou também que poderá escolher mais militares para o governo e que as indicações ocorrem com base no currículo dos indicados.

O convite à pastora Damares provocou mal-estar no setor evangélico. Para boa parte dos 88 deputados federais e quatro senadores da bancada evangélica, a escolha da assessora ;atravessou; os líderes do grupo e foi uma ;afronta; e ;ingratidão; a Magno Malta. Auxiliares da equipe de Bolsonaro disseram que a própria Damares teria demonstrado desconforto quando recebeu o convite do presidente eleito na última quarta-feira no CCBB, sede do governo de transição.

Para integrantes da bancada evangélica, qualquer convite a Malta a partir de agora é ;tardio; e não deveria ser aceito por uma questão de ;bom senso;. Não se cogita, porém, rompimento. Malta enfrenta forte resistência do núcleo militar do governo de transição. Os generais da reserva que compõem o grupo reiteraram a Bolsonaro que o senador não agrega à equipe ministerial.

Pessoas próximas de Malta avaliam que o senador se desdobrou na campanha de Bolsonaro, especialmente depois do atentado sofrido pelo então candidato à Presidência em Juiz de Fora (MG), no dia 6 de setembro, que o tirou das ruas. No começo da semana, Bolsonaro pediu à bancada evangélica que apresentasse uma lista tríplice de nomes para a pasta da Cidadania. Numa decisão que não foi unânime, a bancada acabou entregando os nomes ao presidente eleito, que, no entanto, anunciou o nome do deputado gaúcho Osmar Terra (MDB), para melhorar o trânsito no partido.

Integrantes do grupo avaliaram que houve um desgaste desnecessário e injusto. O coordenador da bancada, Hidekazu Takayama (PSC-PR), chegou a afirmar que retirou os nomes indicados para integrar o novo governo. Um dos poucos que quiseram falar sobre a relação da bancada com o futuro governo, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), admitiu que há um ;mal-estar; diante desse vaivem da transição. ;É lógico que isso provoca um mal-estar. Mas o governo está no seu início, nem começou;, contemporiza o parlamentar.

Entre os evangélicos, Sóstenes é dos que avaliam que não cabe à bancada pleitear cargos, pois, em votações de determinados projetos, não há consenso no grupo, especialmente em propostas das áreas política e econômica. ;Avalio que as frentes não existem no Parlamento para essa finalidade.;

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação