Trump sai em defesa de negócio com russos

Trump sai em defesa de negócio com russos

No centro do inquérito sobre suposta interferência do Kremlin nas eleições de 2016, presidente destaca que pacto sobre empreendimento imobiliário em Moscou era %u201Cmuito legal%u201D e denuncia %u201Ccaça às bruxas%u201D. Especialista prevê abertura de impeachment pela Câmara em 2019

Rodrigo Craveiro
postado em 01/12/2018 00:00
 (foto: Alexander Nemenov/AFP







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(foto: Alexander Nemenov/AFP )


Caça às bruxas. A expressão, adotada de forma recorrente por Donald Trump, voltou a ser usada ontem pelo presidente norte-americano para comentar os desdobramentos do inquérito sobre a suposta interferência da Rússia nas eleições de 2016. Na última sexta-feira, Michael Cohen ; ex-advogado do magnata ; admitiu ter mentido sobre contatos com russos feitos durante a campanha republicana e indicou que o seu cliente sabia das tratativas com o Kremlin sobre um projeto de construção da Trump Tower em Moscou.

A Casa Branca cancelou o encontro que Trump teria com o colega russo Vladimir Putin às margens da cúpula do G20, em Buenos Aires, horas depois. ;Contra todas as possibilidades, eu decido concorrer para presidente e continuar a gerir o meu negócio muito legal e muito bacana, algo de que falei na campanha. Levemente dei uma olhada sobre erguer um prédio em algum lugar da Rússia. Pus zero de dinheiro, zero de garantias e não fiz o projeto. Caça às bruxas!”, escreveu Trump, ontem, em seu perfil no Twitter.

De acordo com o jornal The Washington Post, o presidente dos EUA foi citado em documentos judiciais como o principal foco das investigações lideradas pelo procurador especial Robert Mueller. Os arquivos mostram que o ;Indivíduo 1;, como Trump é mencionado pelos investigadores, estava em contato próximo com seus associados enquanto eles cortejavam tanto a Rússia quanto o site WikiLeaks. Ainda segundo o Post, o republicano e seus assessores tentaram esconder a extensão de suas atividades.


Conspiração
Allan Lichtman (leia o Duas perguntas para), historiador da American University (em Washington), admitiu ao Correio que o inquérito de Mueller se aproxima de evidências de que a campanha de Trump conspirou com os russos para fraudar as eleições presidenciais de 2016. Tudo com a anuência e a orientação do atual presidente republicano. ;Mueller poderá ser capaz de determinar se o telefonema feito por Donald Trump Jr. a um número bloqueado, após a reunião com os russos, realizada na Trump Tower (em Nova York), tinha como interlocutor o pai. Caso afirmativo, o presidente terá mentido em suas respostas aos questionamentos do procurador especial;, disse. Em Washington, existe a preocupação de que a Casa Branca afaste o procurador especial ou suspenda as investigações.

Lichtman acredita que os processos para um eventual afastamento do presidente dependerão das denúncias e dos relatórios apresentados pelo procurador especial. ;Creio que Mueller virá com informações devastadoras, o que obrigará a Câmara dos Representantes, que terá maioria democrata, a instalar procedimentos de impeachment no próximo ano.; Ele lembra que Cohen confessou ter mentido para se encaixar na narrativa política da campanha de Trump. ;Não tenho dúvidas de que outras pessoas do entorno de Trump, ou o próprio presidente, mentiram com esse propósito. O número de mentiras contadas por Trump e por seus associados é impressionante.; Cohen enganou os congressistas dos comitês de Inteligência e da Câmara sobre os planos de Trump de construir o empreendimento em Moscou, sobre a intenção do atual chefe de Estado de viajar à Rússia, sobre contatos com as autoridades russas e sobre por quanto tempo o projeto foi debatido com a Organização Trump.

Os documentos judiciais também apontam que Jerome Corsi, um aliado de Trump, contou a Roger Stone, conselheiro do republicano, sobre os planos de divulgação de e-mails do Comitê Nacional Democrata por meio do site WikiLeaks, um mês antes das eleições de 2016. Segundo a TV CNN, em sua resposta ao interrogatório por escrito de Mueller, Trump assegurou que Stone nada lhe disse sobre o WikiLeaks. Também afirmou que não tinha conhecimento sobre o encontro entre o filho Donald Trump Jr. e os assessores de campanha com a advogada russa Natalia Veselnitskaya, a qual teria prometido informações comprometedoras em relação à então candidata democrata Hillary Clinton.

TUITADAS
;Ah, agora entendo! Eu sou um empreendedor muito bom, vivendo feliz a minha vida, quando vejo nosso país indo na direção errada (para dizer o mínimo). Contra todas as possibilidades, eu decido concorrer para presidente e continuar a gerir meu negócio muito legal e muito bacana, algo de que falei na campanha. Levemente dei uma olhada sobre erguer um prédio em algum lugar da Rússia. Pus zero de dinheiro, zero de garantias e não fiz o projeto. Caça às bruxas!”
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos


Voto pela proteção
O senador republicano Jeff Flake assegurou à rede de TV CNN ter votos suficientes para a aprovação, no Senado, de uma legislação especial para proteger o procurador especial Robert Mueller. ;Eu creio que os votos estão no plenário. Apelo para que possamos votar;, declarou. A lei, proposta pelos senadores Cory Booker e Christopher Coons (democratas) e Thom Tillis e Lindsey Graham (republicanos), visa impedir o afastamento de Mueller do inquérito sobre a suposta interferência russa nas eleições de 2016. A liderança republicana tem insistido que o presidente Donald Trump não tentará interferir na investigação.


Duas perguntas para


Allan Lichtman, historiador da American University (em Washington)

Michael Cohen, ex-advogado de Trump, admitiu ter mentido ao Congresso sobre os contatos com os russos. Como o senhor vê a gravidade disso?
A admissão de culpa de Cohen é muito importante, pois vai ao coração do caso de conspiração entre a campanha de Trump e os russos. O testemunho corrigido de Cohen indica que Trump estava muito mais envolvido do que se acreditava em negociações durante a campanha para construir uma Trump Tower em Moscou. Felix Sater, intermediário-chave no acordo, disse que o relacionamento com os russos ajudaria o republicano a ser eleito.

Mas quais serão as consequências políticas dessa admissão de culpa, sob o seu ponto de vista?
A alegação de culpa de Cohen será uma parte importante do inquérito do procurador especial sobre conspiração entre a campanha de Trump e os russos para manipular a eleição. Isso sugere que os russos teriam muito a ganhar com uma vitória de Trump. (RC)

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