Tensão em Bruxelas

Tensão em Bruxelas

Ativistas do movimento %u201Ccoletes amarelos%u201D confrontam policiais e queimam viaturas

postado em 01/12/2018 00:00
 (foto: Aris Oikonomou/AFP
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(foto: Aris Oikonomou/AFP )


Cerca de 300 manifestantes pertencentes ao movimento dos ;coletes amarelos; saíram às ruas de Bruxelas para pedir a renúncia do primeiro-ministro da Bélgica, Charles Michel, e gritar contra o aumento dos preços dos combustíveis e os custos de vida indesejáveis. Os protestos de ontem foram uma réplica dos recentes atos organizados pelo próprio movimento na França. A concentração na capital belga começou de forma pacífica e se transformou em confronto, depois que forças antimotim utilizaram canhões d;água e gás lacrimogêneo para dispersar os ativistas. Duas viaturas policiais foram incendiadas. Em Paris, autoridades bloquearam a avenida Champs Élysées, às vésperas dos protestos marcados para hoje, em várias cidades francesas, contra a carestia e a alta do diesel.

;Violência incompreensível para a polícia, que faz o seu melhor todos os dias para proteger os cidadãos e a sociedade. Escandaloso;, reagiu no Twitter o ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon, ao condenar a ação dos manifestantes em Bruxelas, que lançaram objetos, como paralelepípedos e bolas de bilhar contra os agentes. Cerca de 60 pessoas foram presas, flagradas com cortadores de caixas, bombas de fumaça e de gás lacrimogêneo.

O protesto começou por volta das 10h30 (7h30 em Brasília), quando os manifestantes bloquearam as estradas e interromperam o tráfego por quase três horas, antes de enfrentarem a polícia. A marcha recebeu adesões à medida que avançava pelas ruas para se aproximar dos prédios da União Europeia (UE), guardados por cordões policiais. Em frente ao escritório do primeiro-ministro, os manifestantes exigiram sua renúncia, ao mesmo tempo em que jogavam contra o local e os agentes de segurança objetos, como pedras, fogos de artifício e sinais de trânsito.

Organizados em redes sociais e sem liderança clara, os últimos atos em Bruxelas ecoam demonstrações semelhantes e contínuas ocorridas na vizinha França ; onde, nas últimas duas semanas, manifestantes protestaram contra as políticas econômicas ;pró-negócios; do presidente Emmanuel Macron, principalmente o aumento de impostos sobre combustíveis. A explosão dos protestos na Bélgica pressiona Michel, um premiê liberal aliado a Macron, no momento em que sua coalizão de centro direita se prepara para enfrentar uma eleição em maio.

O movimento foi batizado de ;colete amarelo; em alusão ao item que todo o motorista francês é obrigado a levar em seu veículo para, em caso de pane ou batidas, ficar visível e evitar acidentes em vias públicas. As autoridades dos dois países expressaram preocupação de que os protestos possam ir além das queixas econômicas, acusando extremistas de extrema esquerda e extrema direita de tentarem se infiltrar entre os manifestantes.

Paris
Um efetivo extra da polícia local estava a postos desde ontem para os atos deste sábado em Paris. Segundo o ministro do Interior francês, Christophe Castaner, em caso de ;provocações;, o governo ;fará prisões e entregará (os presos) à Justiça;. Fontes policiais contaram à agência France Presse que cerca de cinco mil agentes serão mobilizados para a operação.

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