Nas asas da polêmica

Nas asas da polêmica

Ricardo Lewandowski, do STF, mandou a Polícia Federal prender o advogado Cristiano Acioli por dizer que a Corte "é uma vergonha". Caso ocorreu num voo de São Paulo a Brasília e gerou críticas ao magistrado nas redes sociais

» Renato Souza
postado em 05/12/2018 00:00
 (foto: Youtube/Reprodução)
(foto: Youtube/Reprodução)



O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), se envolveu em polêmica durante um voo entre São Paulo e Brasília. Ele chamou a Polícia Federal para prender um passageiro que criticou a Corte. O homem que chamou o Supremo de ;vergonha nacional; é o advogado Cristiano Caiado Acioli, de 39 anos, filho da subprocuradora Helenita Caiado, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), e irmão de Bruno Caiado Acioli, procurador que atuou no processo do Mensalão ; esquema de desvio de recursos públicos para compra de apoio político no governo Lula.

Cristiano gravou toda a situação, e as imagens geraram fortes críticas a Lewandowski nas redes sociais. Nas imagens feitas pelo advogado, o magistrado aparece sentado na primeira fileira da aeronave. Ouve-se, então, a voz de Cristiano. ;Ministro Lewandowski, o Supremo é uma vergonha, viu? Eu tenho vergonha de ser brasileiro quando vejo vocês.; O magistrado fica claramente incomodado e se dirige ao homem: ;Você quer ser preso?;, pergunta, virando-se, em seguida, para um comissário de bordo e pedindo a presença da Polícia Federal no voo.

Cristiano, então, retruca: ;Eu não posso me expressar? Chama a Polícia Federal, então;. Em um segundo vídeo, após a primeira confusão, o passageiro afirma que está apenas exercendo o direito à liberdade de expressão. ;Eu, na minha liberdade constitucional de me manifestar, disse que o STF é uma vergonha. Fui ameaçado de prisão pelo ministro. Eu me dirigi respeitosamente a ele;, emenda.

A confusão foi tema de milhares de mensagens nas redes sociais. No Twitter, a hastag #MePrendeLewandowski ficou em primeiro lugar nos assuntos mais comentados do microblog.

O professor Luciano Santoro, doutor em direito penal pela PUC-SP, não vê ilegalidade na iniciativa do advogado. O especialista aponta que a ação do ministro, em determinar a prisão, pode ter sido exagerada. ;Não há crime na atitude do passageiro, que expressou sua opinião sobre a Corte. Não houve um desacato à autoridade do ministro, mas, sim, um ato de deselegância, quando muito. Mesmo que não tenha ocorrido a prisão, mas a detenção para registrar ocorrência, entendo que não se justifica;, avalia.

Em nota, o ministro Ricardo Lewandowski informou que ;presenciou uma injúria ao Supremo e, como membro da Corte, entendeu que tinha o dever de proteger a instituição e contatar a autoridade policial, para que, se ocorreu algum descumprimento da lei, haja responsabilização;.

De acordo com informações obtidas pela reportagem, Cristiano foi ouvido por um delegado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele permaneceu no local por algumas horas, prestou esclarecimentos e foi liberado em seguida. Procurada, a Gol não quis se manifestar sobre a situação envolvendo o integrante da Suprema Corte.

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