"Temer tirou o Brasil de uma tempestade"

"Temer tirou o Brasil de uma tempestade"

Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República diz que o governo deixará a casa arrumada para o presidente eleito, Jair Bolsonaro. Ele destaca o controle da inflação e a volta do crescimento do PIB

postado em 05/12/2018 00:00
 (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)




Para o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Ronaldo Fonseca, o governo de Michel Temer conseguiu superar os obstáculos políticos e econômicos deixados pela gestão anterior e entregará a casa arrumada como legado para a equipe do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Em entrevista ao Correio, Fonseca afirmou que o emedebista precisou tomar medidas duras para interromper a crise. ;Temer era copiloto de um avião que estava com pouco combustível, no meio de uma tempestade, e o trem de pouso não estava funcionando. Ele precisava pousar o avião, mas a aeronave ficou sem piloto. O presidente, então, pousou, consertou, abasteceu, taxiou, colocou o avião na cabeceira da pista e disse: ;Agora, outro assume;;, destacou. Ele enfatizou o controle da inflação e a volta do crescimento do PIB. Também chamou a atenção em relação à sanção do aumento para o STF. Segundo Fonseca, a atitude de Temer mostra respeito pela independência dos poderes e pelas questões orçamentárias do Judiciário.


O que o governo Temer vai apresentar entre esses dois polos de tempo, de como começou e de como termina o mandato, sabendo que acaba dentro de uma transição e de um novo governo?
Temos uma prestação de contas feita por todo o Brasil, principalmente com a imprensa, para que essas informações cheguem até o cidadão. O governo Temer sofreu com problemas de grandes realizações de um baita governo, de um excelente governo, mas isso não foi detectado pela população. O presidente tirou o Brasil de uma tempestade e colocou em uma garoa. Eu uso uma ilustração de um avião. Temer era copiloto de um avião que estava com pouco combustível, no meio de uma tempestade, e o trem de pouso não estava funcionando. Ele precisava pousar o avião, mas a aeronave ficou sem piloto. O presidente, então, pousou o avião, consertou, abasteceu, taxiou, colocou na cabeceira da pista e disse: ;Agora, outro assume;. Essa é a ideia. Política, economia e gestão sempre andam juntas. E ele pegou uma transição em que os computadores estavam vazios, não tinham informação, era como uma terra arrasada.

Por que os computadores estavam vazios?
O governo do PT não quis fazer a transição. Então, Temer pegou sem nenhuma informação, tínhamos de levantar tudo. Era um governo em uma crise política sem precedentes. E ele conseguiu trabalhar muito bem com o Congresso e trazer grandes avanços para a sociedade. Mas era um Brasil com uma inflação de quase 10%, com uma retração do PIB de 6,5%, até um pouco mais, uma taxa Selic com mais de 14%, e quase 14 milhões de desempregados. Ele consegue, hoje, nesse campo econômico, além de outros dados, entregar uma taxa Selic em 6,5%; inflação em quatro e pouco, por conta da crise dos caminhoneiros; um crescimento do PIB positivo, de quase 2%. E isso teria sido melhor se não tivesse a greve dos caminhoneiros. O que eu vejo hoje é que Temer está em uma transição fantástica, totalmente diferente do que ele recebeu. O novo governo tem todas as informações compiladas num sistema chamado Governa.

O governo Bolsonaro, então, não pode reclamar da transição?
Não pode nem está reclamando. Porque nós oferecemos os melhores técnicos do governo para acompanhar a transição. A Secretaria-Geral preparou todo o ambiente físico da transição, tudo bem-arrumado e com conforto, com salas amplas e com condições de trabalho. Então, deu essa tranquilidade e até uma ideia de sequência, de segmento do governo, até porque Bolsonaro conseguiu identificar no Temer muitas ações de Estado, não de governo. Que são ações que vão continuar, agora, no próximo governo.

Pode citar exemplos dessas ações?
Uma delas é a PPI (Programa de Parcerias de Investimento). Inclusive, o secretário-adjunto da PPI foi convidado para ser ministro de Infraestrutura de Bolsonaro, que é o doutor Tarcísio Gomes de Freitas. Ele estava na transição apenas assessorando. Na sexta-feira, o presidente assinou um decreto facilitando a venda de estatais, nomeando o ministro do Planejamento, criando as facilidades para a venda de empresas no Brasil. O que também é um projeto do governo Bolsonaro e é um viés do Temer, de desestatização das empresas. O Brasil tem cerca de 130 empresas e, entre elas, algumas serão vendidas no novo governo com a facilidade que Temer criou para isso. Novos marcos regulatórios, com bastante transparência e segurança jurídica. Temer está deixando um legado de muitas ações de Estado, não de governo.

Existe uma dificuldade clara na aprovação da reforma da Previdência. Parece que há uma armadilha nisso para o próximo governo. Existem dois grandes rombos: um é o dos militares e o outro, dos policiais civis nos estados. Haverá dificuldade de ter um governo com personagens dessa base tanto no Executivo quanto no Congresso?
A reforma da Previdência nunca foi fácil. É um tema social, não é brincadeira. Temer tinha tudo para aprovar, o problema era o calendário eleitoral. Ele tinha voto e base na Câmara para isso, mas o calendário eleitoral complica qualquer decisão. Temer colocou o tema no debate e não tem como sair mais.

O senhor está esperançoso de que o próximo governo consiga fazer a reforma?
Sim, ele terá de fazer agora. É diferente do presidente. Temer não tinha quatro anos, Bolsonaro tem de fazer agora. Nós temos um rombo que não deixa saída para o país. Todo o futuro do Brasil no mercado internacional, na credibilidade, passa por uma reforma, porque sabem do nosso deficit. Nenhum deputado perto do período político entraria nisso. Agora, não. No início, o futuro governo tem tudo para fazer.

Como ficou a imagem de Temer com a sanção do aumento para o STF?
Veja bem a responsabilidade do Temer. Ele disse que não estava preocupado com popularidade, mas, sim, em fazer uma gestão austera e transparente do Estado. Ele sancionou em respeito à independência dos poderes, em que quem decide o aumento é o orçamento do Judiciário. Quem propôs o aumento foi o STF e a PGR. Esse projeto de lei passou pela Câmara e pelo Senado, e eles concordaram. Veio para o presidente sancionar, e ele sancionou em respeito à independência dos poderes e à gestão de orçamento. O efeito cascata não é imediato. Cada estado, se quiser dar o aumento, precisará caracterizar isso em um projeto de lei e aí será votado nas casas de lei. Não existe esse efeito cascata que todo mundo diz. O aumento é para o STF, para a PGR e para os tribunais superiores. O que Temer solicitou foi que tirassem o auxílio-moradia, e foi feito pelo STF.

Como está sendo a transição e o contato com o seu sucessor na pasta, Gustavo Bebianno?
A transição está muito tranquila. O meu secretário executivo, da Secretaria-Geral,

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