Duzentos presos em ação contra facções

Duzentos presos em ação contra facções

Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas faz operação em 15 unidades da Federação para conter a ação de grupos, como o paulista PCC, e o fluminense Comando Vermelho. Sessenta e seis bandidos estão foragidos, seis no DF

OTÁVIO AUGUSTO
postado em 05/12/2018 00:00

Na tentativa de conter a expansão de facções pelo país, o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNOC) deflagrou ontem uma megaoperação que prendeu 200 pessoas, sendo três em flagrante, em 14 estados e no DF. A ação cumpriu 203 mandados de busca e apreensão. Os alvos são integrantes de seis quadrilhas, como a paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e a fluminense Comando Vermelho (CV). Sessenta e seis bandidos estão foragidos. Essa é a maior investida da história contra facções.

O subprocurador-geral de Justiça de São Paulo, Mário Luiz Sarrubbo, que coordenou a operação, acredita que a operação enfraqueceu a atuação dos grupos. ;Essa operação é simbólica para mostrar que se o crime está organizado, o estado também está. O trabalho foi voltado primordialmente para desarticular as quadrilhas, com a prisão de integrantes-chave. Toda vez que se troca os nomes há um prejuízo, a substituição ocorre, mas muda o estilo de atuação e as relações de confiança;, comemorou.

Na capital federal, agentes do Núcleo de Controle e Fiscalização do Sistema Prisional atuaram contra integrantes PCC, facção paulista que se alastrou por presídios do país. Seis pessoas foram presas em Sobradinho, distante 23km do Plano Piloto. Todos os envolvidos já possuem antecedentes criminais por roubo e tráfico de drogas. Outros seis bandidos estão foragidos.

Durante as buscas, em Santo Antônio do Descoberto, município goiano no Entorno do DF, foram apreendidos telefones celulares, anotações e cadastros ligados à facção criminosa. O presídio da cidade também foi inspecionado. Chefes dessas organizações foram detidos durante a Operação Hydra, que prendeu 60 integrantes em todo Brasil.

O delegado Thiago Boeing, diretor da Divisão de Repressão às Facções Criminosas da Polícia Civil do DF, explica que a atuação dos integrantes presos ontem era periférica na facção. ;A maioria tinha atividades na parte de baixo da pirâmide da organização. Apenas um deles era responsável por repassar ordens para os demais e que mantinha ligação com as lideranças de outros estados;, explicou.

Apesar da investida de ontem, o delegado garante que a atuação da facção criminosa na capital federal é ;restrita; e ;pontual;. ;Como a repressão dos órgãos de segurança aqui é contínua, a penetração é pequena. Um exemplo disso é que as lideranças ficam em outros estados para não se arriscarem aqui;, concluiu.

Presídios
A operação também focou presídios. No Tocantins, foi realizada uma inspeção na Casa de Prisão Provisória de Palmas, para apreender armas, drogas, explosivos, celulares e cadastros de integrantes das facções. Em Mato Grosso do Sul, um detento da Penitenciária Estadual de Dourados (PED), suspeito de fazer parte de organizações criminosas, foi interrogado.

Walter Marques, especialista em combate à violência da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acredita que mitigar o poder dessas quadrilhas exige esforços para romper o ciclo de lucros que ela mantém. ;Elas envolvem milhões de dólares, são organizados em produção econômica internacionais e têm um nível de organização e estratégias muito sofisticados. Aliado a isso, existem muitas relações de poder paralelo;, destacou.

Alvino Augusto de Sá, professor de Criminologia no Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), pondera que a atuação das facções exige ações de eficácia duradoura. ;Depois dessas operações, o tráfico e o comércio de entorpecentes continuam. São medidas pontuais. O estado tem de atacar as causas pelas quais as facções existem, mas isso não é de interesse e o crime continuará recrutando soldados para seu exército;, criticou.

Pelo país
A operação ocorreu no Acre, em Alagoas, no Distrito Federal, no Espírito Santo, em Goiás, no Mato Grosso do Sul, em Pernambuco, na Paraíba, no Paraná, no Rio de Janeiro, em Roraima, no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, em São Paulo e no Tocantins.

Os investigados
Veja quais são e onde atuam as quadrilhas alvo da operação
Facção UF de origem
Primeiro Comando da Capital (PCC) São Paulo
Comando Vermelho (CV) Rio de Janeiro
Terceiro Comando Puro (TCP) Rio de Janeiro
Amigo dos Amigos (ADA) Rio de Janeiro
Primeiro Comando de Vitória (PCV) Espírito Santo
Okaida RB Paraíba
Fonte: GNOC

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