May enfrenta parlamento hostil

May enfrenta parlamento hostil

postado em 05/12/2018 00:00
A uma semana da votação do Brexit, a primeira-ministra britânica, Theresa May, sofreu ontem um sério revés no Parlamento, que aprovou uma moção de desacato contra o governo pela recusa em publicar o conteúdo integral dos informes legais em que se baseou para negociar a saída do Reino Unido da União Europeia. A medida acentua a fragilidade da premiê, que se esforçou para defender o acordo ao lançar cinco dias de debate ante o Legislativo hostil.

Quase três anos após o referendo de 2016, em que 52% dos britânicos votaram a favor do Brexit, o divórcio deve ser selado em 29 de março com ou sem o acordo negociado com Bruxelas, cuja ratificação ou rejeição será decidida em uma votação histórica em 11 de dezembro. ;A única solução que perdurará é aquela que responder às preocupações daqueles que votaram para deixar a UE e tranquilizar aqueles que votaram para permanecer. Essa luta durou o suficiente, é corrosiva para a nossa política e a vida depende do compromisso;, afirmou May ao abrir o período de debates, que promete ser agitado.

Recuo
Momentos antes, a primeira-ministra conservadora havia sofrido uma derrota em plenário: com 311 votos a favor e 293 contra, a Câmara dos Comuns aprovou uma moção de desacato sem precedentes contra o Executivo por não prestar informações contundentes sobre o processo. Após perder a votação, o governo aceitou publicar centenas de páginas de relatórios, até então limitadas e um curto resumo, alegando que se tratavam de documentos confidenciais.

O acordo selado por May com os 27 sócios europeus prevê um complexo sistema denominado backstop, ou rede de segurança, para evitar instaurar uma fronteira dura entre a província britânica da Irlanda do Norte e a República de Irlanda. Muitos deputados temem que isso mantenha o país ligado à UE e acreditam que essa possibilidade esteja refletida nos relatórios judiciais.

Para analistas e parlamentares, a moção de desacato evidenciou a crescente fragilidade interna da administração de May, a menos de quatro meses até a data estabelecida para a partida. ;Esse governo agora está encurralado. A maioria de Theresa May evaporou, e a credibilidade de seu acordo evaporou com ela;, afirmou o líder do centrista Partido Liberal-Democrata, Vince Cable.

O acordo traçado entre Londres e Bruxelas desagrada tanto pró-europeus, que veem piores condições, hoje, quanto eurocéticos convencidos de que a UE faz concessões inaceitáveis. Um dos defensores mais fiéis do Brexit, Nigel Farage anunciou ontem que está deixando o partido anti-europeu UKIP, sob a alegação de que não está conseguindo impor a separação dura da Europa que ele pretendia.

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