"Eu não disputaria (eleição) se fosse hoje"

"Eu não disputaria (eleição) se fosse hoje"

postado em 05/12/2018 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

Eleito deputado federal pelo DF, o empresário Luis Miranda (DEM) se diz arrependido de entrar na política. Ele ; que se tornou conhecido por vídeos comparando o padrão de vida de Miami, onde morava, com o brasileiro ; alega sofrer ameaças e perseguições desde o pleito. ;Eu tenho inimigos que eu nunca fiz nada contra eles. Inimigos de verdade, tentando tomar o mandato. Eu peguei carros me seguindo, pessoas com escutas apontadas para mim;, afirmou. As declarações foram feitas no programa CB.Poder, parceria do Correio com a TV Brasília. Na entrevista, Miranda ainda comentou os primeiros atos do governador eleito do DF, Ibaneis Rocha (MDB), e do futuro presidente, Jair Bolsonaro (PSL). O empresário revelou ter sonhos ambiciosos: ;Baseado nos meus atos, vai haver um clamor para eu assumir a Presidência da República;.

O senhor não era da política, morava em Miami. De onde surgiu o sucesso nas eleições?
Poderia dizer que eu até me arrependi? Já me arrependi.

O que significa esse arrependimento na prática?
Significa que, se eu quiser fazer algo, não poderei ser eu. Eu estou sendo extremamente atacado em redes sociais. Um senhor, que é presidente de um partido, entrou com ação infundada dizendo que eu dei iPhone para eleitores. É um sistema muito sujo para quem veio com a personalidade de tentar trazer ideias inovadoras.

Se o senhor pudesse voltar atrás, seria candidato?
Eu não disputaria de novo. Teria ficado em Miami quietinho. Eu tenho inimigos que eu nunca fiz nada contra eles. Inimigos de verdade, tentando tomar o mandato. Eu peguei carros me seguindo, pessoas com escutas apontadas para mim. Eu estou sendo literalmente ameaçado. A polícia está investigando, mas eu não vou desistir de tomar posse. Tenho certeza de que, se fizesse isso, a minha credibilidade cairia. As pessoas que votaram em mim querem que eu trabalhe. Imagine a decepção deles. Vou lidar com isso trabalhando, gerando resultados.

Qual vai ser a cara do seu mandato?
Esse meu jeitão transparente, falando as coisas de coração. E eu sou empreendedor. O Brasil precisa mudar o conceito de que o empresário é o vilão. O bom empresário é o que gera emprego, o que ajuda o governador. No nosso país, o empreendedorismo não é levado a sério, a não ser quando se está no topo ou com conluio com políticos. O Brasil precisa entrar nessa revolução da indústria de tecnologia. Não podemos perder tempo com nossos jovens, nossos gênios indo embora. Tenho vários contatos no Vale do Silício. Tentei convencer o governador a trazer isso para Brasília, mas parece que ele tem outra ideia. Eu entregaria de bandeja para ele.

Como o senhor avalia as escolhas do governador eleito Ibaneis?
O que mais me surpreendeu foi a nacionalização de Brasília. A quantidade de ministros do governo federal convidados para a gestão de Ibaneis. É incrível.

Isso é bom ou ruim?
Isso demonstra que ele quer ser o presidente da República. Ele quer se candidatar, certamente. A população pediu pelo novo, pela renovação, e ele trouxe o velho de volta para dentro de Brasília, mas a gente espera que, pelo menos, esse velho venha com experiência. Eu nunca vi um governador fazer isso, convidar um ministro para ser secretário. É uma atitude que pode se tornar algo heroico e inovador para Brasília.

Como o senhor avalia os primeiros momentos do governo Bolsonaro?
Ele cumpriu o prometido de que não daria cargos para partido nem lotearia o governo dele. Ele disse que escolheria de acordo com competência e convivência.

Do seu ponto de vista, a relação de Bolsonaro com os EUA será positiva para o Brasil?
O Brasil tem de tomar cuidado. A China vem galgando espaço e tentando fazer parceria com celeiros. Se nós soubermos tratar esse tema, nós vamos ter essa oportunidade. É perigoso focar só nos EUA e deixar a China de lado. É o mesmo caso de privilegiar Israel. A comunidade árabe consome carne nossa. Política é tentar fazer com que todos os lados estejam satisfeitos.

O senhor morou nos EUA, onde ocorreram inúmeros casos de assassinatos em massa em colégios, cinemas, igrejas; O senhor acha que o cidadão deve andar armado?
O Brasil tem cinco vezes mais homicídios do que nos EUA sem ter arma. O Texas tem a menor criminalidade do mundo, porque todos estão armados. Nenhum bandido quer assaltar alguém que está armado. Mas, do jeito que está a lei, está errado. Não vou votar do jeito que está. Para quê? Para colocar cidadão de bem na cadeia, que não está preparado para usar armas ou protegido pela legislação? É um tema que tem de ser revisto.

O senhor se elegeu deputado. Qual o próximo plano?
Baseado nos meus atos, vai haver um clamor para eu assumir a Presidência da República. Não nas próximas, espero que Bolsonaro vá bem e quero reelegê-lo, mas, pelas minhas atitudes, acredito nisso.



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