Desafio é conter a guerra no PSL

Desafio é conter a guerra no PSL

postado em 09/12/2018 00:00
 (foto: Governo de Transição/Divulgação)
(foto: Governo de Transição/Divulgação)


As denúncias de movimentações na conta da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, podem não ser o maior problema que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), enfrentará logo no início do mandato, na avaliação de analistas. Para eles, administrar a guerra de egos declarada dentro da legenda do capitão reformado já se mostra muito mais desafiadora.

;O PSL é problemático por juntar inexperiência, voluntarismo e uma concentração de egos competitivos. Vai demandar muita paciência (de Bolsonaro);, avaliou o cientista político Murillo de Aragão, presidente da Arko Advice. Na avaliação do cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB), Bolsonaro enfrentará mais problemas para conseguir unir a base governista, que é bastante heterogênea e tem interesses difusos. E, para piorar, o interlocutor com o Congresso, o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, é conhecido por ter pavio curto, tanto que já interrompeu entrevistas coletivas duas vezes por falta de paciência. ;Ele já está sendo citado na Lava-Jato e não duvido que, para Bolsonaro ser coerente com seu discurso de campanha, esse pode ser o primeiro ministro a cair no início do governo;, disse Fleischer. Sobre a denúncia dos depósitos irregulares na conta de Michelle, ele não acredita que isso pode atrapalhar o novo governo. ;Tudo indica que se trata de um problema generalizado de corrupção nas Assembleias Legislativas, assim como na Câmara distrital, que foram palco de várias denúncias;, completou.

Na avaliação do líder do PPS na Câmara, Alex Manente, o cheque entregue à futura primeira-dama da República, não deve afetar, por enquanto, a relação do presidente eleito com o Congresso. ;Nós temos até o início da próxima legislatura para sabermos efetivamente se é uma questão mais grave ou se envolve apenas o motorista;, explicou o parlamentar. Já o líder do PR na Câmara, José Rocha, foi enfático ao afirmar que as supostas irregularidades não afetam a relação do partido com o futuro governo Bolsonaro. ;É um problema particular, não diz respeito ao meu partido;, afirmou. (RH e LV)


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