Bolsonaro admite ter sonegado à Receita

Bolsonaro admite ter sonegado à Receita

Sobre os depósitos feitos pelo ex-assessor do filho na conta da mulher, o presidente eleito afirma que, se errou, arcará com a responsabilidade perante o Fisco

» ROSANA HESSEL » LUCAS VALENÇA Especial para o Correio
postado em 09/12/2018 00:00
 (foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
(foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)


O presidente eleito, Jair Bolsonaro, minimizou as denúncias sobre depósitos suspeitos apontados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do policial Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PLS-RJ), feitos na conta da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro. ;Ninguém dá dinheiro sujo com cheque nominal;, afirmou, após participar da formatura de oficiais da Escola Naval do Rio de Janeiro.

Durante a entrevista, ele reforçou que recebeu 10 cheques de R$ 4 mil, o que daria R$ 40 mil de empréstimos feitos por ele ao amigo e que teriam sido devolvidos em repasses para a mulher. Bolsonaro justificou que os depósitos ocorreram na conta de Michelle ;por questões de mobilidade;. ;Eu ando atarefado o tempo todo para ir ao banco. Pode considerar da minha conta. Lamento o constrangimento que ela está passando;, afirmou. Ele ainda contou que não declarou o empréstimo e o pagamento para a Receita Federal. ;Se eu errei, arco com minha responsabilidade perante o Fisco, sem problema nenhum;, pontuou.

Ao ser questionado sobre o grande volume de saques em dinheiro vivo apontados pelo Coaf na conta do policial, Bolsonaro não fez comentários. ;Conheço o senhor Queiroz desde 1984. Depois, nos reencontramos, eu como deputado federal e, ele, sargento da Polícia Militar. Somos paraquedistas. Continuou a amizade. Em muitos momentos, estivemos juntos, em festas, eventos, até porque me interessava ter um segurança policial ao meu lado. Com o tempo, ele foi trabalhar com o meu filho;, afirmou. Para ele, a movimentação atípica ;não configura ilegalidade;.

Rendimentos

Em investigação sobre movimentações suspeitas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o Coaf detectou valores na conta de Queiroz, que chegam a R$ 1,2 milhão, que não eram condizentes ao seu rendimento. Segundo Bolsonaro, quem vazou as denúncias sobre o amigo foram os advogados dos parlamentares da Alerj presos para ;desviar o foco; deles para os filhos do futuro presidente. ;Espero que esse processo, uma vez instaurado, se explique;, afirmou.

Para especialistas, essa nova crise poderá atrapalhar o futuro governo se os fatos investigados pela Justiça confirmarem irregularidades mais profundas. ;Esse é um incômodo a ser esclarecido, mas não traz risco de naufrágio do novo governo. Sem fatos adicionais, essa denúncia vai se esvaziar;, afirmou o cientista político Murillo de Aragão, presidente da Arko Advice. ;Essa denúncia é um desafio, mas precisamos ver para onde vão as investigações. Não vejo que o capital político de Bolsonaro seja impactado logo nesse início de mandato;, disse o cientista política Christopher Garman, diretor-geral para as Américas do Eurasia Group, sediado em Washington. Contudo, ele lembrou que Bolsonaro foi eleito em uma plataforma de combate à corrupção. ;Qualquer coisa que fere isso, preocupa. Mas, por hora, não chegou a atingir o Flávio Bolsonaro diretamente;, emendou.


"Eu ando atarefado o tempo todo para ir ao banco. Pode considerar da minha conta. Lamento o constrangimento que ela (Michelle) está passando;
Jair Bolsonaro, presidente eleito

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