Bastidores e articulações

Bastidores e articulações

postado em 09/12/2018 00:00
 (foto: Arquivo/CB/D.A Press)
(foto: Arquivo/CB/D.A Press)


Somente mais de 30 anos após a abertura política de 1985 é que fragmentos de documentos do período foram revelados. Até hoje, muitos papéis estão em segredo, por exemplo, os arquivos do Exército. Antes do decreto, militares estavam preocupados com a oposição. A cinco meses da editar o Ato Institucional número 5 (AI-5), generais monitoravam preocupados às manifestações estudantis de 1968 e debatiam seus riscos.

Atas das reuniões do Conselho de Segurança Nacional (CSN) revelam que a linha dura do regime acusava Cuba de organizar um movimento para derrubar generais e implantar o comunismo no Brasil. O presidente Arthur da Costa e Silva mirou na repressão como um modo de conter a ;subversão;. Para tanto, adotou discurso legalista e defensor do ;livrinho;, referindo-se à Constituição, como mostra o registro das reuniões de julho de 1968.

Naquele período, a onda de protestos contra a ditadura deixou a cúpula fragilizada. ;É nítida a existência de uma campanha dirigida para fazer crer que o povo está sendo reprimido por um regime ditatorial, entreguista, ultrapassado, que nada faz em favor dos brasileiros;, argumentou, durante uma reunião, o então secretário-geral do CSN, general Jayme Portella de Mello. Para ele, havia apoio financeiro externo ao movimento. ;Sem dúvida, há uma coordenação dessas ações com atividades de intelectuais, artistas, compositores e outros elementos de esquerda, cada vez mais audaciosos;, reclamou.

Reações duras


O general Emílio Garrastazu Médici, que assumiria a Presidência em outubro de 1969, cobrava reações mais duras. Ele era chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de espionagem. ;Está em curso um plano com o apoio de políticos e cassados para a tomada do poder. Houve uma manifestação em Brasília, senadores e deputados abraçados a subversivos e nada aconteceu;, apontou.

Costa e Silva, apesar de ter entrado para a história como propulsor do período mais sombrio dos anos de chumbo, inicialmente não queria a radicalização. ;Qualquer ato fora da Constituição no momento será uma precipitação. Será, como se diz, um avanço no escuro sem necessidade. Mais uma vez, serei acusado de imobilismo, mas a situação continuará como está;, ponderou. Ele não recebeu apoio dos aliados militares e se viu obrigado a decretar o AI-5. (OA)


Projeto de Vargas
Criado em 1937, durante a ditadura de Getúlio Vargas, no Estado Novo, o CSN ganhou força com a ditadura militar de 1964. Integrado pelo presidente da República e por seus principais ministros, transformou-se em instrumento para cassar oposicionistas e editar atos institucionais. Em 13 de dezembro de 1968, numa reunião no Palácio Laranjeiras, no Rio de Janeiro, os membros do conselho assinaram o AI-5.


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