Visto, lido e ouvido

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

Circe Cunha (interina) circecunha.df@dabr.com.br
postado em 09/12/2018 00:00
Toma, que o filho é teu

Não se conhece, até o momento, nenhum estudo, projeto ou posicionamento de técnicos e estudiosos da complexa ciência do urbanismo, a respeito da criação, via medida provisória, da chamada Região Metropolitana de Brasília. Assinada pelo presidente Temer, há poucos dias do fim de mandato, em atendimento ao pedido do seu correligionário e governador eleito do DF, Ibaneis Rocha (MDB), a medida, pelo que foi passado à imprensa, facilitará a destinação de recursos federais ao governos estaduais e distrital, para as áreas de segurança, educação, transporte e saúde.

Na teoria fica criada a Grande Brasília. Na prática, há muito já se sabe que, e a população da capital sente, o Entorno do DF é uma realidade concreta, que afeta todos os setores da cidade, sendo considerado até um fenômeno natural e inerente à maioria das inchadas metrópoles brasileiras. Na verdade, trata-se de um cinturão formado por dezenas de cidades-dormitório que abrigam homens e mulheres que todos os dias acorrem ao Distrito Federal para trabalhar e para a utilização dos serviços públicos ofertados pela capital. Com isso, o que se tem é uma realidade factual que foi sendo formada ao longo do tempo, em muitos casos, incentivada pelos próprios governos locais, principalmente após a conquista da maioridade política da capital, interessados em criar zonas e áreas de influência política.

Formada por dezenas de regiões ligadas aos estados de Goiás e Minas Gerais, essas áreas, limítrofes ao quadrilátero do Distrito Federal, por sua formação e origem, apresentam os mais baixos índices de desenvolvimento humano, com problemas nos setores de saúde, educação, segurança, sem infraestrutura no abastecimento de água, coleta de esgoto e lixo, asfalto, iluminação e diversos itens necessários ao bom funcionamento de um bairro e a uma vida digna de seus moradores.

Como sempre acontece no Brasil do improviso, o que se tem agora é uma realidade de grandes proporções que antecedeu a qualquer processo racional de planejamento urbano. Com isso, a herança política, legada pela incúria de sucessivos governos passados, terá de ser assumida integralmente pelo GDF, o que acarretará enormes problemas à cidade que parece experimentar um processo precoce de decadência, antes mesmo de conhecer o apogeu.

É sabido que, desde sempre, que os governos dos estados de Goiás e de Minas Gerais jamais se interessaram por essas cidades próximas ao Distrito Federal, deixando-as entregues à própria sorte e aos cuidados da capital. Em países sérios, a criação e a fundação de cidades obedecem a critérios rígidos, sendo antecedidas pela instalação de infraestrutura básica e de planejamento minucioso para evitar que as áreas se transformem em periferias problemáticas para as metrópoles próximas. Mesmo sem conhecer em detalhes como se processará a criação dessa Região Metropolitana, o jeito é desejar boa sorte ao governador nessa tarefa, fazendo votos para que essa não seja mais uma empreitada de cunho político, sem compromisso com o futuro e com seus eleitores.


A frase que foi pronunciada

;Aqueles que olham para as leis da natureza como um apoio para os seus novos trabalhos colaboram com o Criador.;
Antoni Gaudi


É lei
; Alérgicos, hipertensos, diabéticos, celíacos, portadores de insuficiência renal, muito mais gente do que se pensa depende das informações dos rótulos dos alimentos, para não passar mal ou mesmo para não morrer. Vale conhecer o portal direitodesaber.org para brigar pelo direito de ter as informações verídicas sobre a composição dos alimentos nos rótulos.

Perigo
; Estranho, o PLP n; 459/2017 está em regime de urgência na Câmara dos Deputados, mesmo sem ter passado pela votação na CCJ. Parece que falta argumentação jurídica. Maria Lucia Fatorelli avisa que está prestes a acontecer uma fatalidade legislativa. O intuito desse PLP é jogar no lixo todas as regras de finanças públicas do país.

À vista
; Uma das partes mais perigosas desse projeto de lei complementar é a contratação ilegal da dívida pública, comprometimento do Estado com garantias e indenizações elevadas e desvio de recurso público: dinheiro pago por contribuintes será desviado durante o seu percurso pela rede bancária e não chegará ao orçamento público.

História de Brasília
A arrecadação está deficiente. Todo o mundo burla o fisco, da maneira que quer. E a prefeitura não tem feito muito empenho em receber tributos. (Publicado em 7/11/1961)

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