Russos teriam oferecido "sinergia"

Russos teriam oferecido "sinergia"

Documentos apresentados por promotoria acentuam suspeitas de ingerência de Moscou na eleição americana de 2016. Donald Trump nega conluio

postado em 09/12/2018 00:00
 (foto: Alexander Nemenov/AFP)
(foto: Alexander Nemenov/AFP)


Documentos protocolados por promotores norte-americanos reforçam as suspeitas de apoio russo ao então candidato republicano à Casa Branca Donald Trump. A campanha teria recebido uma oferta de cooperação ;política; de Moscou, o que resultaria em ;sinergia política; e ;sinergia em nível governamental;, de acordo com o material apresentando pela equipe do procurador especial Robert Mueller e promotores de Nova York. Pelo Twitter, Trump desmereceu as novas evidências. ;Depois de dois anos e milhões de páginas de documentos (e um custo de mais de 30 milhões de dólares), não há conluio!”, escreveu o presidente, que fez referências a novas denúncias do Departamento de Justiça sobre pagamentos a mulheres para evitar um escândalo sexual durante a eleição (Leia ao lado).

Segundo a promotoria, os documentos mostram que houve contatos previamente não revelados entre Trump e intermediários russos e sugerem que o Kremlin pretendia, desde cedo, influenciar a campanha do republicano, jogando tanto com as aspirações políticas quanto com interesses comerciais pessoais do então candidato à Presidência. Michael Cohen, à época advogado pessoal de Trump, teria mantido contato com uma ;pessoa de confiança; do governo russo que teria oferecido ;sinergia política; e ;sinergia em nível governamental;.

O russo teria repetidamente proposto uma reunião entre Trump e o presidente Vladimir Putin, alegando que o encontro poderia ter um impacto ;fenomenal; ;não apenas na política, mas em uma dimensão empresarial;, dizem os promotores. Os documentos foram entregues ao tribunal de Nova York, que julga Michael Cohenn, na sexta-feira. Segundo os promotores, ;Cohen enganou o público eleitor ao ocultar supostos fatos que achava que teriam um efeito substancial na eleição.;

Mentiras

A equipe de investigação também entregou à Justiça detalhes sobre as alegações de que o ex-chefe de campanha do presidente Paul Manafort mentiu ao FBI sobre os contatos que mantinha com os funcionários da administração após firmar o acordo de delação e sobre negociações com Konstantin Kilimnik, seu sócio comercial que supostamente seria um agente da Inteligência russa. ;O acusado violou seu acordo de delação de numerosas maneiras ao mentir para o FBI e para o gabinete do procurador especial.;

Manafort trabalhou cerca de seis meses na campanha Trump em 2016. Em setembro deste ano, concordou em se declarar culpado das acusações de conspiração contra os Estados Unidos e obstrução à Justiça em um acordo para evitar uma segundo processo por lavagem de dinheiro e lobby ilegal. Na prisão, o ex-consultor surge como testemunha-chave do processo.

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