Vai ter concurso no próximo ano?

Vai ter concurso no próximo ano?

Com o fim das eleições e a troca dos representantes federais e municipais, as dúvidas em relação aos certames públicos crescem. Afinal, haverá mais ou menos seleções em 2019? Só o tempo dirá, mas especialistas acreditam que as provas devem ser aplicadas

Thays Martins*
postado em 09/12/2018 00:00
 (foto: Aline Rocha/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Aline Rocha/Esp. CB/D.A Press)

A chegada do novo governo federal, que promete enxugar sumariamente a máquina pública em 2019, tem colocado incertezas na cabeça de concurseiros. Entre as medidas cogitadas pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), estão os cortes de cargos comissionados e a privatização de empresas estatais. Durante a campanha, o discurso de Bolsonaro mostrou inclinação para privatizações e reconfigurações de órgãos públicos. Mas, de acordo com especialistas, quem sonha com uma vaga no setor público não precisa se preocupar. Afinal, concursos públicos estão previstos na Constituição e há vacâncias que precisam ser preenchidas. Outro fator destacado por eles é que, se as medidas funcionarem e a economia voltar a crescer, a probabilidade de haver mais certames aumentar. O otimismo, portanto, ainda perdura entre eles.

Essa é a expectativa de Mitzy Ethell Cintra e Silva, 40 anos. Ela acredita que, devido às promessas do governo local, a situação para os concurseiros de Brasília pode melhorar. Ela também está confiante de que o certame do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) pode sair em 2019. ;Eu foco na área trabalhista, mas agora estou estudando para o do TJDFT. Sei que eles estão precisando de muita gente. Eu li que, para o GDF, estão previstas 21 mil vagas. Então, acho que será positivo;, conta ela, que estuda há três anos.

Ela já foi aprovada em dois concursos, mas não chegou a ser classificada. ;Parece que, depois dos 35 anos, você não presta para trabalhar;, lamenta. ;Trabalhei por muito tempo em shopping e como secretária jurídica. Decidi que não queria mais isso e iria me dedicar aos estudos para ter uma estabilidade.;

De acordo com o professor de administração da Universidade de Brasília (UnB), Jorge Fernando Valente de Pinho, quem, assim como Mitzy, sonha com uma vaga pública, não precisa ficar tão preocupado porque os processos seletivos já previstos não devem sofrer alterações. ;Não acho que os concursos anunciados possam ser reduzidos ou deixados de lado. Há também, por outro lado, uma promessa de blitz da área de segurança, que deve gerar vagas nessa área;, pondera.

;Muitos dos eleitos se seguraram muito na bandeira da segurança. Então, provavelmente, vamos ver muitos desses certames;, concorda Luis Eduardo Pereira, coach de concursos do Estratégia Concursos. ;Acreditamos que haverá investimentos na área de segurança pública e, consequentemente, a abertura de concursos públicos na área policial;, emenda o presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), Renato Saraiva.

Judiciário e legislativo
Para Luis Eduardo Pereira, outro destaque é que as medidas não devem atingir o judiciário e o legislativo. ;O concurseiro pensa que tudo vai ser afetado em função de o presidente ter uma posição mais liberal, mas isso poderia impactar somente o executivo federal. Como o novo governo estará se ajustando, talvez no ano que vem e em 2020 não tenham tantos concursos nessa área. Mas o judiciário, o legislativo federais estaduais e municipais não têm uma influência tão grande do novo governo;, destaca. ;Os concursos do judiciário e do legislativo não estavam acontecendo. A gente acredita que não dá para segurar por muito tempo;, completa.

Por isso, ele aposta que concursos como os dos tribunais regionais do trabalho, tribunais regionais eleitorais e tribunais de justiça de diversas regiões deverão sair e serão as melhores chances para quem sonha com uma vaga pública. ;Acredito que, no mínimo, de 8 a 10 concursos do judiciário ocorram no ano que vem.;

Além disso, o coach destaca que, caso a situação econômica brasileira melhore, o cenário de concursos também ficará mais fértil. É natural, em tempos de crise, que o volume de certames diminua. ;Quando o país teve uma situação boa nas finanças, tivemos mais concursos. Quando esteve em uma situação ruim, menos. Então achamos que está atrelado à saúde nas contas com a quantidade de certames;, opina ele, que é graduado em administração pública pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul).

O professor Renato Saraiva pensa da mesma maneira. ;A questão da abertura de certames é uma constante. O serviço público precisa manter o quadro de servidores ativos para o funcionamento de suas atividades e todos os anos milhares de servidores se aposentam;, esclarece. Quem está estudando, portanto, não tem razões para parar agora. ;O concurseiro não precisa se preocupar, pois haverá abertura de concursos;, av alia.

De olho no GDF
No caso do Distrito Federal, a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) 2019 prevê criação ou provimento de 21.162 cargos em diversos órgãos. O governador eleito, Ibaneis Rocha (MDB), prometeu aos eleitores que, até o fim da gestão dele, 70% das vagas comissionadas seriam ocupadas por servidores concursados. Além disso, o futuro governador vem prometendo novos concursos ainda no primeiro ano de governo. O professor Jorge de Pinho, contudo, não enxerga parâmetros que possam garantir que as projeções de Ibaneis serão cumpridas. ;Para mim, é uma incógnita, até mesmo porque a gente conhece muito pouco da vida política dele;, avalia. No âmbito local, as expectativas giram em torno, principalmente, da Polícia Civil, que tem certame autorizado para 300 vagas de escrivão.

O que deve vir por aí
Segundo Luis Eduardo Pereira, as grandes apostas estão nos âmbitos estaduais. Ele enumera: ;De concursos grandes, devemos ter o Tribunal Regional Federal da 3; Região. Em São Paulo, o da Polícia do Estado de São Paulo, pois o governador eleito, João Doria, manifestou interesse em atrair vagas para essa área. Na Bahia, já era colocada a intenção de fazer concurso para o cargo de auditoria fiscal. O Tribunal de Justiça do Amazonas e o Tribunal de Justiça de Roraima estão com as comissões formadas. O do Rio de Janeiro ainda não tem comissão, mas o último concurso foi em 2014. Quanto aos tribunais regionais do trabalho, que ficaram um pouco mais de lado este ano, existe a expectativa do TRT Bahia, além do de Goiás, que tinha sido cancelado;.

Ele cita ainda o TRE de Santa Catarina, que está autorizado, e o TRE do Ceará, que passou por remoções internas em 2017, o que costuma acarretar a abertura de novos concursos. No caso do DF, a expectativa é o processo seletivo para o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). ;É um órgão que tem quase 300 cargos vagos. Ainda não temos previsão, mas o pessoal de Brasília deveria estudar para ele.;

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