Um ator multiplataformas

Um ator multiplataformas

André Ramiro grava audiolivro, está no GloboPlay e em série da Fox

POR Vinicius Nader
postado em 09/12/2018 00:00
 (foto: Ubook/Divulgação)
(foto: Ubook/Divulgação)
Não existe plataforma ou linguagem que limite o ator André Ramiro. O eterno Aspirante Matias do filme Tropa de elite (2007) pode ser visto na série A ilha de ferro, disponível no GloboPlay, na série Rio heroes, da Fox, e em seu mais recente trabalho, o audiolivro Infiltrados na Klan, disponível no serviço Ubook.

;Como ator, é uma prática de leitura e interpretação sem a imagem, apenas com a voz. A única diferença é que quem vai criar as imagens será o público;, avalia André. ;Estamos na era moderna, os conteúdos estão sendo mais assistidos nas telas do celular, tablets e computador. Quem não se adaptar vai ficar para trás;, completa o ator.

Livro que deu origem ao filme homônimo de Spike Lee, a obra tem uma forte pegada contra o racismo. André conta que isso não foi determinante para que ele fizesse o trabalho, mas acredita numa ;conspiração do universo;. Isso porque, segundo André, ;em grande parte das vezes são os personagens que nos escolhem;.

Na série A ilha de ferro, André dá vida a Norato, chefe da cozinha da plataforma de petróleo onde se passa a série e traficante de drogas. ;Queremos personalidades com quem nos identifiquemos, que façam a diferença, que elevem nossa autoestima, que nos deem orgulho de sermos quem somos e nos empoderem cada vez mais. E isso se aplica a várias camadas da nossa sociedade. O mais interessante no Norato é que ele é gay e chefe da cozinha de uma plataforma petrolífera. É necessário estudar e batalhar para se tornar líder nessa função. No caso de ele traficar, eu o vejo como uma pessoa que faz uma má escolha na vida assim como qualquer outra sendo branco, preto etc... Não me preocupo com o estigma e sim com eu me superar e fazer um bom trabalho;.

Três perguntas / André Ramiro

Tropa de elite tem 12 anos. Ainda sente a repercussão do filme?
Sim, muito. O filme fez história no Brasil e no mundo. Sempre que sou abordado recebo muito carinho e respeito das pessoas.

Acha que ele é mais atual hoje ou quando foi lançado?
Infelizmente, acho tão atual quanto. Mas sou otimista e acredito no ser humano, em um futuro melhor. Sempre!

As letras do rap (André é ligado ao movimento hip hop) e as palavras de um filme ou espetáculo ditas pelo ator podem de alguma forma ajudar na união do país? Como?
Claro que podem. Um artista como Bob Marley, por exemplo, foi capaz de unir a Jamaica no meio de um conflito político beirando à guerra civil. As palavras e atitudes de artistas como Mano Brown, Racionais MCs, Sabotage, RZO, Criolo, Emicida, Lázaro Ramos, Taís Araújo, Milton Gonçalves, Lea Garcia, Gabi Amarantos, Iza, Anitta, Ludmila, Pabllo Vittar, entre outros e outras afetaram, inspiraram e influenciaram a vida de muitas pessoas. Mas, de fato, o que vai unir o nosso país é a empatia humana, a sabedoria e a consciência coletiva. O artista é um serviçal da arte e interlocutor do povo.

Leia a entrevista completa com André Ramiro em http:/blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo


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