Fazer o mínimo é um grande avanço

Fazer o mínimo é um grande avanço

postado em 24/12/2018 00:00

Com a entrada da nova gestão, o complexo Dulcina passou por diversas mudanças no decorrer de 2018, incluindo pintura, limpeza, revitalização das cadeiras do teatro e dos quadros brancos nas salas de aula. ;O primeiro semestre foi para retirar lixo, organizar seguranças, deixar o lugar em condições de trabalho para os professores e para os alunos. A gente conseguiu fazer em dois meses. Sem dinheiro, juntando os cacos e a força de trabalho mesmo;, conta a secretaria executiva.

Para o estudante de artes cênicas Logan Dias, as mudanças deste ano foram as mais radicais desde que chegou à Faculdade, em 2015. ;Quando eu cheguei, via a instituição muito bagunçada, entrava no prédio quem quisesse. Agora, tudo está sendo bem mais rígido e isso é ótimo. O teatro está bem mais limpo, as salas pintadas, a nova gestão trabalhou muito nesse sentido;, relata o estudante.

Chris Ramirez explica que a prioridade era reorganizar a faculdade. Primeiro, porque é a fonte principal dos recursos graças às mensalidades pagas pelos alunos. A partir de abril, foi a hora de reorganizar todo o complexo cultural para começar a alugar o Teatro Dulcina e receber mais verbas. Os valores obtidos dos espetáculos e eventos são destinados para a manutenção do prédio de cinco andares e dois subsolos. ;Estava praticamente abandonado;, revela Chris.

E, mais que isso, o pagamento dos funcionários começou a ser realizado dignamente com o tempo. ;A faculdade estava, praticamente, há seis anos sem pagar os funcionários. Eles faziam assim: entrava uma grana e dividia R$ 300 reais para cada um, o que é completamente fora de qualquer processo legal;, lamenta Chris.

Além do físico

O estudante Logan explica que, há três anos, quando entrou na Faculdade de Artes, a família não o levava a sério e, às vezes, nem ele mesmo acreditava muito em um avanço profissional. ;Agora, dá uma esperança de ter uma carreira, que eu não sei se não tinha antes. E eu acredito que, no âmbito profissional, já está ajudando, já que a gente trabalha na produção das peças que, além de trazer um aprendizado muito importante, acabam fazendo com que alguns diretores te reconheçam;, conta Logan.

Para Adair Oliveira, ex-aluno e agora professor de artes visuais e cênicas da Faculdade, a grande mudança na gestão é a preocupação em transformar o espaço em local de produção de cultura e geração de pensamento estético. ;Eu vejo que querem tornar isso um produto cultural: é arte, mas é um produto. E, além disso, deixar esse espaço com uma identidade de Brasília;, afirma Adair.

Segundo o professor, além de ser uma união de forças físicas para não deixar o prédio desabar, o significado imaterial que o complexo Dulcina tem para todos os envolvidos é o que fez a mudança acontecer. ;Acho que todo mundo teve a coragem de dizer ;vamos dar as mãos e vamos mudar isso aqui juntos;;, relata Adair Oliveira.

O professor Fernando Guimarães se diz esperançoso para o próximo ano letivo. ;Eu acho que 2019 vai ser um ano bom, mesmo com todas essas questões com os novos governos. Tem uma corrente muito positiva nossa aqui e eu acho que isso significa muito;, acredita.

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