Cidadania para todos

Cidadania para todos

Cida Barbosa cidabarbosa.df@dabr.com.br
postado em 05/01/2019 00:00
Tenho uma colega que é mãe de dois meninos, um deles autista. Há alguns anos, ela contou, em post numa rede social, como mergulhou fundo na depressão ao saber que o filho era portador do transtorno. Tentou buscar explicações sobre como isso aconteceu, se teve culpa, se poderia ter evitado. Foi o período de luto, como definiu, em que se despediu do filho idealizado para aceitar e amar esse novo filho. A partir daí, arregaçou as mangas e iniciou a batalha por tratamento e por especialistas. Soube o que é ser mãe de uma criança alvo de preconceito tanto na rua quanto no próprio condomínio onde morava. Batalhou para matriculá-lo, após escola atrás de escola rejeitá-lo sem nem mesmo vê-lo, apenas com base em laudos médicos.

A luta dela é a mesma de centenas de pais e mães de crianças deficientes inseridas numa sociedade que não só as desrespeitam como ignoram os direitos básicos delas. Desde a infância, a maioria de nós repele o que é diferente. Agora em dezembro, essa minha colega compartilhou a carta de um menino de 12 anos que se disse ;autista de grau leve; e que fez um pedido inusitado a Papai Noel: queria ganhar amigos. ;Brinco na escola sozinho, pois as crianças me odeiam por eu ser diferente. Além disso, não gosto de muito barulho, pois me deixa desorientado;, contou ele ao Bom Velhinho. ;Por causa da minha condição, sofro bullying e não sou respeitado pelos colegas. Meus pais dizem que sou muito inteligente e especial. Por que as outras pessoas não respeitam as outras que são diferentes?;, questionou. No comentário do post, minha colega também fez seu pedido: ;Papai noel, nos ajude a consertar a humanidade;.

Podemos começar tentando consertar o Brasil. Nosso país evoluiu no tema, isso é um fato, mas o avanço ocorre a passos muito lentos. Não podemos deixar as pessoas com deficiência à margem da sociedade. Na posse do presidente da República, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, fez um discurso em libras pela inclusão e disse que vai trabalhar pelas pessoas com deficiência: ;Vocês serão valorizadas e terão seus direitos respeitados;. Esperemos que a primeira-dama busque, de fato, contribuir para que todos sejam vistos como cidadãos, diferentes ou não, e que a promessa não tenha sido motivada apenas pela emoção da cerimônia.

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