Para o Dia da Paz

Para o Dia da Paz

» DOM JOSÉ FREIRE FALCÃO Cardeal
postado em 05/01/2019 00:00


Em sua mensagem para o Dia da Paz (1;/1/2019 ), o papa Francisco afirmou que a paz é frágil como uma flor, porque ;procura desabrochar por entre as pedras da violência;. Daí a importância da política para a paz nesta hora de renovação de cargos eletivos, quando nossos dirigentes são convidados a exercer seus encargos na Justiça e no direito.

Embora a política seja um ;meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem, contudo, quando aqueles que a exercem não a vivem como serviço à coletividade humana, pode se tornar instrumento de opressão, marginalização e até de destruição;.

Paulo VI já advertia que ;tomar a sério a política, nos seus diversos níveis ; local, regional, nacional e mundial ; é afirmar o dever do homem, de todos homens, de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade; (Carta Apostólica, Octogesima adveniens, 46 ).

Nota o papa Francisco que os escolhidos para servir ao seu país, para proteger as pessoas que nele habita e criar as condições de um futuro digno e justo tornam a política uma forma eminente de caridade, ao serviço dos direitos humanos e da paz.

Todos os políticos, qualquer que seja a filiação cultural ou religiosa, são chamados a ;trabalhar juntos para o bem da família humana, praticando as virtudes humanas subjacentes a uma boa ação política: a justiça, a equidade, o respeito mútuo, a sinceridade, a honestidade, a fidelidade;.

Um boa política, diz o papa, ;está ao serviço da paz; respeita e promove os direitos fundamentais;.

;A paz é fruto de um grande projeto político, que se baseia na responsabilidade mútua e na interdependência dos seres humanos. Mas é também um desafio que requer ser abraçado dia após dia;, diz o pontífice.

E acrescenta as dimensões da paz:

; ;A paz consigo mesmo, com a rejeição da intransigência, da ira e da impaciência;;

; ;A paz com o outro: a família, o amigo, o estrangeiro, o pobre e o atribulado;;

; ;A paz com a criação, descobrindo a grandeza do dom de nós, como habitante deste mundo, cidadão e construtor do futuro;.

No Dia Mundial da Paz, celebrado em nosso país, com a renovação do Legislativo e do Executivo, vale a pena refletir sobre as bem-aventuranças do político, do Venerável cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, que prisioneiro do regime comunista de seu país, testemunhou na prisão a mensagem do Evangelho:

;Bem-aventurado o político que tem uma alta noção e uma profunda consciência do seu papel.

Bem-aventurado o político cuja pessoa irradia a credibilidade.

Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para os próprios interesses.

Bem-aventurado o político que permanece fielmente coerente.

Bem-aventurado o político que realiza a unidade.

Bem-aventurado o político que está comprometido na realização de uma mudança radical.

Bem-aventurado o político que sabe escutar.

Bem-aventurado o político que não tem medo;.

Mas todos os cidadãos deste país, e não só os políticos, são convidados a ser artesãos da paz. E os cristãos, especialmente mensageiros e testemunhas de Deus Pai, que quer o bem e a felicidade da família humana.

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