Visto, lido e ouvido

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

Circe Cunha (interina) circecunha.df@dabr.com.br
postado em 05/01/2019 00:00
A César o que é de César

;Arrependo-me de havê-los feito;, teria reconhecido o próprio Deus, ao ver no que havia se transformado o homem e a humanidade. Pelo menos é o que relata o Livro Genêsis (6,6). De lá para cá, muitos dilúvios e guerras, com aniquilamentos em massa da espécie, um fato é inconteste: os homens se multiplicaram em número e em iniquidades. Não surpreende que o Criador tenha se arrependido desse feito, ainda mais quando, em seu nome, são cometidos todos os tipos de vilezas. Em análise a acontecimentos históricos, sem o viés da credulidade cega, o fato é de que ao longo de toda a existência das civilizações, os homens têm se utilizado da pretensa vontade divina para cometer crimes, ganhar fortunas e dominar reinos inteiros e subjugar os demais, sempre com o pretexto de cumprir ordens emanadas do céu.

Recorrer a esses subterfúgios celestes foi o meio encontrado por muitos governantes para justificar atos iníquos, dentro de uma lógica irracional e sobre-humana. Foi assim no passado e tem sido assim agora e em toda parte, inclusive no Brasil, onde membros da atual administração, inclusive o próprio presidente vem invocando o nome de Deus, para justificar possíveis futuros atos de governo.

Por maior boa vontade que se queira ter sobre essas manifestações, a realidade é que, em todo o tempo e lugar, a história está repleta de exemplos, sempre que governantes invocam a vontade divina para seus atos terrenos. Essa associação nem sempre resultou em boa coisa. E isso se dá por razão simples: não existe em parte alguma procuração assinada pelo Criador, com firma reconhecida, outorgando , expressamente, poderes celestes a mandatários.

Porque, se assim fosse, em seu santo nome, estariam permitidos todos e quaisquer atos. Ensinamentos cristãos revelam que Deus fala por intermédio de profetas escolhidos e não por meio de governantes. Para aqueles crentes, que entendem a palavra e seguem seus preceitos, Deus se manifesta por seus próprios canais e não necessita de porta-vozes ou de ministros de Estado para esse feito.

Mesmo a população religiosa brasileira, por meio de seus diversos credos, inclusive de matriz africana, temem o amálgama entre fé e coisas do Estado. Basta seguir os que se aproveitaram das estruturas prontas das comunidades eclesiais de base. O que o povo brasileiro espera daqueles que compõem o governo é que professem a fé mais em ações do que em palavras. Porque ;assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma.

Nesse sentido, vale lembrar que o Estado é laico, justamente para abrigar em seu convívio todos os credos, sem distinção. A mistura entre religião e política, por maior boa vontade se tenha, nunca resultou em algo aceitável por todos. Mesmo àqueles que se aproveitam do ateísmo, característico das esquerdas, para atacar governos passados, afirmando que Deus está de volta ao seio da nação, agem de modo enviesado, pretendendo se apresentar como novos luminares da fé, prontos para catequizar os demais cidadãos, subjugando-os às suas crenças, que são postas acima da leis seculares. ;Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.;


A frase que foi pronunciada
;A convivência pacífica entre as diferentes religiões é beneficiada pela laicidade do Estado que, sem assumir como própria nenhuma posição confessional, respeita e valoriza a presença do fator religioso na sociedade.;

Papa Francisco


Gratidão
; Todos da equipe que participaram dos primeiros socorros do presidente Jair Bolsonaro foram convidados para a posse. Veja a foto no Blog do Ari Cunha.

Lixo
; Comércio, principalmente onde há restaurantes, passa a depositar lixo em locais próprios onde são reciclados. Plástico, papel, metal, vidro e restos de comida, que viram adubo. Tudo devidamente reaproveitado, alimentando a cadeia social, ambiental e econômica.

Rememorando
; Quase a Medida Provisória n; 685, publicada há três anos foi aprovada na íntegra. Mas retiraram do texto as partes que davam poder à Receita Federal de combater a elisão fiscal. Pagar menos impostos não quer dizer sonegação. Não fossem tantas as regras tributárias, os empreendedores teriam mais liberdade para crescer.


História de Brasília
Os blocos 8 e 9 da Coreia (IAPI) não têm esgotos e, agora, o Departamento de Águas e Esgotos está cobrando dos moradores a taxa do serviço que ele não presta aos inquilinos. (Publicado em 8/11/1961)

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