Clássicos repaginados

Clássicos repaginados

Desde o ano passado, o cinema volta a viver um momento em que aposta em remakes em live-actions de animações que se tornaram mitológicas, como Mogli, O rei leão, Pokémon e Aladdin

Adriana Izel Enviada especial
postado em 05/01/2019 00:00
 (foto: Netflix/Divulgação)
(foto: Netflix/Divulgação)


São Paulo ; Criar versões de um clássico é algo comum e recorrente no cinema, no teatro, na televisão e na literatura. De tempos em tempos, o recurso volta com força. Desde o ano passado, o cinema e os serviços de streaming, que já viveram a fase dos heróis e das adaptações de best-sellers, agora estão no momento dos live-actions. Pelo menos esse foi um dos grandes assuntos de 2018 e deve perdurar por 2019 com uma grande leva de estreias nesse formato, que transforma clássicos de animação em versões com atores reais.

Um dos longas-metragens a dar início a essa nova safra de live-actions foi a versão da Netflix de Mogli, animação famosa da Disney de 1967 inspirada na obra O livro da selva (1894), de Rudyard Kipling, lançada em dezembro do ano passado. A produção tem direção de Andy Serkis, conhecido por atuação em captura de movimento e performance em filmes como Planeta dos Macacos, O senhor dos anéis e Star wars.

Projeto iniciado em 2014 por Serkis, a adaptação tem um tom completamente diferente da animação da Disney e também do longa-metragem em live-action do estúdio dirigido por Jon Favreau. O cineasta britânico revelou que isso foi intencional. ;Quando li o roteiro, senti pela primeira vez que era uma versão de Mogli que estava próxima do tom do livro e que eu estava realmente concentrado na jornada de Mogli, essa jornada complicada de uma pessoa de fora, de um menino que não pertencia àquele mundo. E isso me tocou. Fiquei apaixonado pela versão;, conta.

Novo formato

Para apresentar um diferencial, Andy Serkis, especialista em captura de movimento e performance, trouxe esse conhecimento para a sua direção e, mais do que escolher atores e atrizes para simplesmente dublar os personagens da selva, ele quis ter um elenco que fosse capaz de colocar a própria emoção nos animais que interagem com Mogli, vivido pelo ator Rohan Chand, que teve a chance de atuar lado a lado com o restante do elenco. ;Para mim, estava clara a visão que eu queria para a história e como queria criar os animais, que seria com captura de movimento e atuação e em live-action. Eu queria criar algo muito real, que as emoções parecessem reais;, revela.

Dessa forma, o filme foi gravado com os atores em cena. Depois, eles foram substituídos pelos animais com as emoções expostas com a performance dos atores que foram capturadas com a tecnologia. Até por isso, o projeto que teve início em 2014, só chegou à plataforma da Netflix no ano passado. No elenco, nomes de peso, como Christian Bale, que faz a pantera Bagheera; Cate Blanchett, que vive a cobra Kaa; Benedict Cumberbatch como o leão Shere Khan; e Peter Mullan, o lobo Akeela.

;A primeira pessoa que chamei foi Peter Mullan porque eu não conseguia tirar da minha mente que a voz dele parecia muito de alguém que é o ;homem do povo;. Busquei a qualidade dos atores. Nós queríamos que Kaa fosse como uma profeta e alguém que estivesse guiando Mogli para ser o protetor da selva. Pensei que Cate era perfeita para isso;, revela Serkis, que viveu o urso Baloo na adaptação.

Sobre esse movimento de live-actions, Andy Serkis analisa, em entrevista ao Correio, ser algo natural: ;Estamos num ponto em que é difícil ter materiais originais por dois motivos. O primeiro de que há clássicos com ótimas interpretações. Por exemplo, você vê diferente atores fazendo Hamlet e isso é incrível. Também há o fato de que as pessoas estão acostumadas com isso. Quantos Homem-Aranha tivemos nas últimas décadas? As pessoas estão preparadas para histórias reinventadas e também é importante que as pessoas e as crianças possam aprender com essas histórias mitológicas. Acho que tudo é uma questão de equilíbrio, ainda mais agora com as mudanças por que o cinema passa.;




Outras versões

Logo em fevereiro, o cinema começa a trazer novas versões live-action. A estreia da nova leva de produções no formato em 2019 começa com Alita: Anjo de combate. O longa-metragem é inspirado no mangá homônimo de Yukito Kishiro e mostra a história de uma heroína cyborg. Para retratar a protagonista, a atriz Rosa Salazar fez captura de movimento e performance. O elenco tem ainda Christoph Waltz e Mahershala Ali.

Os clássicos da Disney também irão invadir as telonas. Porém, não em animação, como o público está acostumado, mas em versão com atores reais. A primeira estreia é em 29 de março, com Dumbo. A história do elefante bebê que nasceu em circo e que ficou famosa em desenho animado em 1941 será reinventada na visão de Tim Burton, que já recriou outro clássico no formato, Alice no País das Maravilhas.

Em maio é a vez de Aladdin, animação de 1992, ser adaptada em live-action. Com direção de Guy Ritchie, o filme tem no elenco Mena Massoud no papel do protagonista, Naomi Scott (Power Rangers) como Jasmine e Will Smith interpretando o gênio.

Mais a maior expectativa de adaptação da Disney está nas costas de O rei leão, que chega às telonas em 19 de julho. O teaser lançado em novembro se tornou no segundo mais visto de todos os tempos, ficando atrás apenas do vídeo de Vingadores: Guerra infinita. A ansiedade tem motivo. A produção é dirigida por Jon Favreau, que conseguiu bons números com Mogli: O menino lobo, em 2016, e tem no elenco Donald Glover como Simba, Beyoncé no papel de Nala e James Earl Jones como Mufasa.

Outros dois desenhos animados e sucessos dos videogames estão confirmados para 2019. Em maio, Detetive Pikachu, versão do jogo e da franquia Pokémon, estreia nos cinemas tendo Justice Smith como protagonista e Ryan Reynolds vivendo o pokémon mais conhecido da saga, Pikachu. Em novembro é a vez de Sonic chegar às telas interpretado por Lee Majdoub.



Três perguntas / Andy Serkis

Essa é uma versão mais sombria de Mogli. Como você lidou com isso?
Para mim, era importante porque o filme fala sobre colonialismo de um jeito que os outros filmes não fizeram. Então, a cena em que Mogli aparece com a faca é importante, porque mostra a influência dos homens nele. Também tem a introdução da caça e do homem dentro da selva, uma caça não por comida, mas por esporte. Isso, para mim, era importante mostrar: Mogli sendo corrompido por esse pensamento.

No filme é possível traçar outros paralelos com a sociedade?
Sim. Os macacos representam uma sociedade que é completamente anárquica. Eles não têm lei, n

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