No Rio, deputada é alvo de tiros

No Rio, deputada é alvo de tiros

postado em 14/01/2019 00:00
 (foto: Estefan Radovicz/Agência O Dia
)
(foto: Estefan Radovicz/Agência O Dia )


O carro onde estava a deputada estadual e ex-chefe da Polícia do Rio, delegada Martha Rocha (PDT), foi atingido por tiros, na manhã de ontem, na Penha, na zona norte do Rio. A delegada não foi ferida, mas seu motorista foi atingido na perna direita e levado para o Hospital Getúlio Vargas, já tendo recebido alta. A ação aconteceu próximo à Avenida Brasil.

O governador do Rio, Wilson Witzel, disse que a linha inicial da investigação da polícia é de tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte ou de graves lesões corporais). Witzel acrescentou, porém, que a hipótese de atentado contra a deputada não foi descartada. Em março do ano passado, a vereadora Marielle Franco (PSol) foi assassinada no bairro do Estácio, região central da cidade, e até hoje os criminosos não foram identificados.

;A linha inicial é que foi uma tentativa de latrocínio, uma vez que já há outras ocorrências no local que a polícia já estava investigando. Já há uma possível identificação e a polícia vai trabalhar, solicitar um mandado de prisão e vai atrás dessas pessoas que estão praticando esse tipo de crime na região;, disse Witzel. Ele informou que também pediu uma escolta policial para a delegada.

Martha Rocha disse que, no momento dos tiros, tinha acabado de buscar a mãe para assistir a uma missa, na Tijuca. Ela relatou ter recebido ameaças vindas de um grupo de milícia, no início de novembro do ano passado, e que comunicou o fato às autoridades do Rio, à época.

A ameaça chegou três vezes pelo disque denúncia e dizia que o grupo pretendia atingir algumas autoridades e que o nome dela vinha especificado entre os alvos ;com letras garrafais;. A deputada disse ter falado pessoalmente, na ocasião, com Rivaldo Barbosa (então chefe da Polícia Civil) e Gilberto Ribeiro (subchefe operacional).

Segundo a delegada, Ribeiro lhe telefonou para oferecer escolta policial por um mês, mas ela recusou e afirmou que queria apenas a apuração da denúncia. ;Não recebi resposta do resultado dessa investigação;, afirmou. Martha ainda declarou que, quando era delegada titular, atuou na área de Campinho, que é dominada pela milícia, e que trabalhou na investigação dessas organizações criminosas.

O governador prometeu empenho na apuração do caso. ;Não queremos leniência na investigação contra quem quer que seja no crime organizado. Quando eu digo crime organizado, me refiro aos participantes do narcoterrorismo e também aos milicianos, que não deixam de pertencer a esse tipo de organização terrorista que vem atingindo nosso estado;, afirmou Witzel.

De acordo com o relato da deputada, pouco antes do ataque, seu motorista notou que um carro Celta, de cor banca, vinha atrás deles. Um dos homens estava vestido de preto, com luvas também pretas e touca no rosto. Em determinado momento, o homem colocou metade do corpo para fora do carro, portando um fuzil, e fez os disparos.

O Celta perseguiu o carro da delegada até a altura da Avenida Brasil. Na via, o motorista conseguiu entrar em uma das ruas próximas e dirigir até o Olaria Atlético Clube, onde buscou socorro. Os criminosos entraram em outra rua e fugiram.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSol), que foi alvo de ameaças de morte por milicianos em dezembro passado, prestou solidariedade a Martha Rocha. Freixo cobrou do governador um posicionamento mais contundente contra as milícias. ;Causa estranheza o governador não citar no seu plano de governo algo em relação às milícias. Ele sequer se pronuncia sobre o assunto;, disse Freixo.

Em nota, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) considerou o atentado como ;um ato de extrema gravidade, sobretudo por tratar-se, mais uma vez, de uma parlamentar, o que representa uma tentativa de intimidação e ameaça ao Estado Democrático de Direito;. O presidente em exercício da Assembleia Legislativa, André Ceciliano, disse esperar que o caso seja apurado com urgência para prisão e punição dos responsáveis.

;É um ato de extrema gravidade, sobretudo por tratar-se, mais uma vez, de uma parlamentar, o que representa uma tentativa de intimidação e ameaça ao Estado Democrático de Direito;
Nota oficial do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro


Exposição cancelada
A Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro determinou a encerramento antecipado da exposição Literatura Exposta, na Casa França-Brasil. O motivo, de acordo com o governador Wilson Witzel, foi uma performance ;com nudismo; que não estava prevista no contrato. Witzel alegou que o governo precisa ser avisado previamente sobre o conteúdo de exposições em espaços públicos. Para o governador, a decisão não pode ser confundida com censura porque a exposição, que seria encerrada amanhã, acontecia desde dezembro no espaço, mas não havia previsão da performance. A obra A Voz do Ralo é a Voz de Deus é do coletivo És uma Maluca. Na avaliação do governador, a performance, que faria referência à tortura na ditadura militar, deveria ser avaliada previamente pela Vara de Infância e da Juventude.


Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação