Executivo anuncia fim de barragens

Executivo anuncia fim de barragens

Simone Kafruni
postado em 30/01/2019 00:00
 (foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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(foto: Valter Campanato/Agência Brasil )


A Vale vai acabar com todas as barragens à montante, como a de Brumadinho e, para isso, terá de paralisar as atividades, reduzindo a produção em 40 milhões de toneladas de minério de ferro e em 11 milhões de toneladas de pelotas por ano. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da companhia, Fábio Schvartsman. Em reunião com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, a diretoria da empresa responsável por duas tragédias em menos de três anos em Minas Gerais, que, juntas, deixaram mais de 100 mortos, apresentou seu plano de ação para evitar novos desastres.

;Em primeiro lugar, a gente continua focado no atendimento às famílias das vítimas e ao resgate das pessoas vitimadas pela enorme tragédia de Brumadinho;, disse. ;Há dois dias, estive lá e afirmei qual seria o propósito da empresa e que iríamos acima e além de qualquer norma legal para dar uma resposta à altura ao acidente que aconteceu.;

Schvartsman ressaltou que, desde o acidente em Mariana, em 2015, a Vale verificou que tinha 19 barragens com construção à montante e tornou todas, inclusive Brumadinho, inativas. Nove já foram descomissionadas, que é quando os empreendimentos já desativados desaparecem por completo, sendo reintegrados à natureza.

;Por conta da tragédia, decidimos acelerar o processo. A companhia não pode mais ter esse tipo de barragem. Porém, para isso, será necessário paralisar as operações de mineração em todos os sites que estão nas proximidades dessas barragens;, assinalou.

Com a paralisação, que deve levar de um a três anos, a Vale estima que vai retirar da sua produção anual 40 milhões de toneladas de minério de ferro ; o que representa 10% dos 400 milhões de toneladas produzidas pela companhia por ano ; e 11 milhões de toneladas de pelotas. ;A decisão terá um impacto produtivo na empresa. Vamos aportar R$ 5 bilhões no processo;, avaliou.

A Vale vai levar o plano de ação aos órgãos ambientais em 45 dias e, assim que obtiver as licenças, iniciará o processo imediatamente. ;Para não deixar dúvidas de que todo o sistema está seguro, temos laudos que comprovam que todas as nossas estruturas ativas estão em perfeitas condições. Mas, mesmo assim, decidimos não aceitar apenas os laudos, e agir de outra maneira;, justificou.

As barragens que serão reintegradas à natureza ficam em Minas Gerais. ;Todas já estão inativas, agora, serão esvaziadas e deixarão de ter características de barragem. Os rejeitos podem ser aproveitados, como tijolos, ou, simplesmente, incorporados ao ambiente;, emendou Schvartsman. Para promover o descomissionamento serão contratadas empresas de engenharia especializadas. Segundo ele, a mineradora, atualmente, só utiliza barragens à jusante ou mesmo a seco. ;Em Brumadinho, vamos continuar o trabalho de recuperação e vamos descomissionar a barragem;, destacou.

Sem demissões
Questionado, o presidente da Vale negou que a diretoria tenha sofrido qualquer tipo de pressão. ;Em nenhum momento, ouvi falar de intervenção no conselho de administração. O que tivemos até agora foram reuniões absolutamente técnicas;, assegurou.

O plano de ação da mineradora não prevê demissões. ;Os cerca de 5 mil trabalhadores que operam nas atividades que serão paralisadas serão absorvidos em outras atividades. Não haverá demissões;, prometeu. ;O que estamos fazendo é acelerar um trabalho que vinha em andamento. Não fizemos mais rápido, porque não havia necessidade. O acidente mudou radicalmente a nossa intenção;, reforçou. Sobre os empregados da companhia presos ontem, Schvartsman disse apenas que a ;Vale sempre defenderá seus funcionários;.

Modelos

À montante é quando a barreira é construída sendo elevada na forma de degraus, utilizando o próprio rejeito no processo. O reservatório à jusante, por sua vez, é o erguido do lado de fora, uma alternativa mais segura.

40 milhões
Redução em toneladas de minério de ferro com a paralisação das atividades, além da diminuição em 11 milhões de toneladas de pelotas por ano


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