Renúncia no Vaticano

Renúncia no Vaticano

postado em 30/01/2019 00:00
 (foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)

Uma denúncia de assédio sexual feita por uma freira derrubou ontem o sacerdote responsável pela contenção dos escândalos de abuso sexual na Igreja Católica. O padre austríaco Hermann Geissler, que respondia por uma comissão sobre o tema na Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), o organismo do Vaticano encarregado da disciplina teológica, renunciou ao posto, informou um comunicado da Santa Sé para a imprensa.

;O padre Geissler tomou essa decisão para limitar os danos já causados à CDF, diz o texto. ;Ele afirma que a acusação contra ele é falsa;, acrescenta o comunicado, ;e se reserva o direito de apresentar uma possível ação civil;. Ao fim de um processo canônico, Geissler recebeu em 2014 uma advertência por assédio a uma jovem freira, informou o jornal francês La Croix. Na época, ele reconheceu os fatos, segundo o jornal.

Doris Wagner, filósofa e teóloga alemã de 34 anos, descreveu recentemente, em Roma, as agressões e abusos sexuais que sofreu durante oito anos de vida religiosa. Ela divulgou nas redes sociais um vídeo no qual afirma ter sido sido estuprada por um padre, em 2008, fato que teria denunciado a um superior em Roma. Então, foi assediada por outro padre que pediu para ser seu confessor, o padre Geissler.

;Eu ficava horas ajoelhada diante dele. Ele dizia que me amava e que sabia que eu o amava também, e que, embora não pudéssemos nos casar, havia outros meios;, explicou a religiosa. Um dia, de acordo com Doris Wagner, ;ele tentou me agarrar e me beijar;. ;Fiquei assustada e fugi;, narrou a freira. Quando pediu para trocar de confessor, sua superiora afirmou que estava ;ciente; de que o padre em questão ;gostava de garotas jovens;.

Em 2012, após deixar a vida religiosa, ela denunciou os dois padres perante a Congregação para a Doutrina da Fé. Aquele que a estuprou, que trabalhava na Secretaria de Estado, foi demitido do Vaticano, mas continuou sendo padre em uma comunidade na qual ;vivem muitas freiras jovens;, denunciou.


Irlanda vota
sobre divórcio


O governo da Irlanda, país de expressiva maioria católica, convocou para maio um referendo sobre a simplificação do divórcio, legalizado há quase 25 anos, também em votação, a despeito da resistência da Igreja. A nova consulta proporá uma emenda à Constituição para reduzir de quatro para dois anos o período durante o qual os cônjuges devem viver separados para poderem se divorciar. ;O governo quer garantir um processo de divórcio justo, digno e humano, que permita que as duas partes avancem com suas vidas em um período de tempo razoável;, disse o ministro da Justiça, Charlie Flanagan. Caso aprovada, a medida abrirá uma nova etapa no processo de liberalização sociocultural empreendido pelo país.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação