Lições europeias

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Técnico do Real disputou seis jogos na Champions e seis na Europa League. Entenda como um empate contra o lendário Milan, de Fabio Capello, e uma derrota para o Bayern, inspiram Paulo Pereira contra o Sobradinho

Marcos Paulo Lima
Marcos Paulo Lima
postado em 30/01/2019 00:00
 (foto: Arthur Menescal/Esp.CB/DA.Press)
(foto: Arthur Menescal/Esp.CB/DA.Press)




Aos 53 anos, o técnico Paulo Pereira tem muito mais experiência do que imaginam os jogadores do Real. Não se assuste, por exemplo, se ele tirar da cartola alguma solução assimilada na Champions League ou na Europa League para deter o atual campeão candango Sobradinho, hoje, às 16h30, no Bezerrão, pela segunda rodada do Candangão.

O ex-zagueiro disputou 12 partidas na história dos dois torneios mais badalados da Europa. Em uma delas, ajudou o Benfica, de Portugal, a segurar um dos melhores times do mundo à época. O milagre aconteceu no jogo de volta válido pelas quartas de final da temporada 1994/1995 da Champions League contra o todo-poderoso Milan, de Fabio Capello. A missão era inglória. Os encarnados perderam na ida por 2 x 0, em Milão. O time não avançou às semifinais, mas foi valente.

Era 15 de março de 1995. Paulo Pereira fazia parte de um bom time. O gol do Benfica estava sob a responsabilidade do belga Michel Preud;Homme ; eleito o melhor da posição na Copa de 1994, nos Estados Unidos. Na dupla de ataque, o capetinha Edílson e Claudio Caniggia, o carrasco do Brasil no Mundial da Itália, em 1990. Todos liderados por Artur Jorge ; um dos técnicos mais respeitados no futebol lusitano.

O Estádio da Luz, na capital portuguesa, estava lotado. Segundo a Uefa, recebeu 52.500 pagantes no dia em que a defesa do Benfica segurou a trupe de Panucci, Maldini, Desailly, Baresi, Donadoni, Boban, Savicevic... Detalhe: naquele dia, o Milan não contou com Massaro, Gullit e van Basten. Era uma máquina. O Milan havia conquistado o título de 1993/1994 da Champions League com goleada por 4 x 0 sobre o Barcelona, do técnico Johann Cruyff e de um centroavante baixinho chamado Romário. Em 1995, perdeu a final para um adversário não menos lendário: o Ajax, de Luis van Gaal.

;O Milan tinha um time muito forte. Nós jogamos no limite naquele dia para conseguir empatar;, lembra Paulo Pereira ao Correio ao falar do duelo. Curiosamente, esse não é o jogo inesqueciível na carreira do técnico do Real. Na temporada seguinte, o Benfica perdeu por 4 x 1 para o Bayern Munique, na Alemanha, pela antiga Copa da Uefa (atual Europa League). Ele estava na zaga, mas simplesmente não viu a cor da bola. ;O (Jürgen) Klinsmann fez os quatro gols. Era um senhor time;, recorda. Para se ter uma ideia, o goleiro era Oliver Khan. O camisa 10, um tal de Lothar Matth;us. Todos sob a batuta de Otto Rehhagel ; o homem que levou a Grécia ao título da Euro-2004 contra Portugal, de Felipão.

Aquelas noites europeias inspiram Paulo Pereira no Real neste início de Candangão. ;Eu passo aos meus jogadores que temos de aprender a trabalhar no limite contra qualquer adversário. O resultado vai determinar se fizemos isso. Somando os 10 amistosos e a estreia (empate por 1 x 1 com o Ceilândia), nós estamos invictos há 11 jogos;, comemora.

Estudioso, o irmão e ex-auxiliar do técnico Silas quer contra o Sobradinho o espírito daquele Benfica que segurou o Milan em 1995. ;É um time jovem, organizado, inteligente. Vai ser um jogo difícil;, prevê Paulo Pereira.

Outros jogos
Além do confronto entre Real e Sobradinho, a rodada começa hoje com o Gama defendendo a liderança em Minas Gerais contra o Paracatu. O alviverde estreou goleando o Bolamense por 5 x 0. No Serejão, o Taguatinga receberá o Brasiliense. O Jacaré derrotou o Santa Maria por 3 x 0 no último sábado.

Nos bastidores, a diretoria do Formosa anunciou a contratação do lateral-esquerdo Júnior. Em 2002, o jogador de 45 anos foi reserva de Roberto Carlos na campanha do pentacampeonato.





;O Milan tinha um time muito forte. Nós jogamos no limite naquele dia para conseguir empatar;

;Eu passo aos meus jogadores que temos de aprender a trabalhar no limite. O resultado determina se fizemos isso;

Paulo Pereira, técnico do Real


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