O que vem primeiro, a emissão ou a aceitação?

O que vem primeiro, a emissão ou a aceitação?

RODRIGO SANTORO Diretor da Visa Consulting & Analytics
postado em 18/02/2019 00:00

Inspirado pelo famoso dilema ;quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?;, trago para vocês a seguinte questão: o que é mais importante para a expansão do uso dos meios eletrônicos de pagamento, a emissão ou a aceitação? Embora uma não exista sem a outra, descobrimos recentemente que, no Brasil, a aceitação pesa três vezes mais que a emissão para o avanço dos pagamentos digitais. O dado surgiu do Índice de Maturidade para Pagamentos Digitais, da Visa Consulting & Analytics (VCA), que mapeou e diagnosticou o grau de desenvolvimento dos pagamentos eletrônicos dos municípios do país. Ou seja, se queremos levar os benefícios de pagamento eletrônico para todo o Brasil, devemos investir cada vez mais no parque de aceitação.

Em parte, isso é explicado pela avançada bancarização dos brasileiros. Em geral, todos que possuem conta bancária recebem ao menos um cartão de débito, o que acaba por deixar a questão da emissão mais adiantada. E o que é um bom índice de emissão por habitante? Pelos nossos cálculos e metodologia, as cidades brasileiras com bom indicador de emissão têm uma proporção de 2.500 cartões para cada 10 mil habitantes.

O mesmo estudo mostra que, quando o assunto é aceitação, uma cidade com bom indicador teria 276 maquininhas de cartão (POS) para cada 10 mil habitantes. Em cidades com baixo índice de aceitação, o número fica em 32 máquinas a cada 10 mil habitantes. Mas não é apenas uma questão de número de POS. A diversidade de categorias de segmentos comerciais que aceitam pagamentos eletrônicos em uma cidade também afeta a aceitação e, consequentemente, o comportamento digital da população. Se o consumidor percebe que pode pagar eletronicamente por todas as suas compras e serviços nos estabelecimentos comerciais, rapidamente deixa de utilizar o dinheiro em espécie e passa a carregar somente o cartão.

Na equação entre emissão e aceitação, ainda existe uma dimensão extremamente importante ; até mais do que as duas citadas: a infraestrutura. Isso porque, sem acesso à banda larga ou a frente de caixas eletrônicos, o ecossistema de pagamentos digitais não consegue se desenvolver. E, por meio do estudo, notamos que mais de 37% das têm problemas básicos de infraestrutura.

Essas e outras descobertas foram possíveis graças à consolidação de mais de 300 variáveis. O levantamento levou em conta informações como número de cartões por habitante, transações de débito e de crédito, quantidade de caixas eletrônicos, número de agências bancárias, acessos em banda larga, dados de maquininhas de pagamento por habitante e por quilômetro quadrado, PIB, IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e informações populacionais e educacionais.

Resumindo: para aumentar o uso dos pagamentos eletrônicos, é preciso investir mais na aceitação. E isso tem crescido cada vez mais com a chegada de novos players e formatos no mercado. O que não significa que a emissão não seja importante, pelo contrário. Em paralelo ao investimento em ampliar o número de POS nas cidades, deve-se também continuar investindo na emissão de cartão ou qualquer dispositivo de pagamento, seja ele crédito, seja débito, seja pré-pago.

Será investindo nos dois lados de forma integrada que conseguiremos levar às mais diferentes cidades os benefícios do pagamento eletrônico. Com o aumento do uso, emissão e aceitação de meios eletrônicos de pagamento, esperamos contribuir para o desenvolvimento tecnológico, o aumento da inclusão financeira e digital da população, além de ajudar a diminuir gastos operacionais e com segurança, decorrentes do uso do dinheiro em espécie. Vamos juntos fazer verdadeira transformação no país.

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