Três perguntas para

Três perguntas para

postado em 18/02/2019 00:00
 (foto: Shelly Campbell/Divulgação - 12/9/18)
(foto: Shelly Campbell/Divulgação - 12/9/18)
Phil Saviano, americano, vítima de abusos e ativista

O senhor acha que o papa está no caminho certo no combate aos abusos sexuais na igreja?
Na minha opinião, o papa Francisco pode estar no caminho certo em seu coração e pode ter tomado algumas decisões sobre o que precisa ser feito. No entanto, estou começando a pensar que ele não tem tanto poder para agir por conta própria decisivamente quanto gostaríamos que tivesse. Acho que muitos de seus cardeais não estão dispostos a aceitar as mudanças que ele pode propor. Além disso, eu diria que há padres tão compulsivos com sua gratificação sexual que perdem a capacidade de raciocinar, empatizar e cuidar do bem-estar emocional dos paroquianos, que lhes foi confiado. Eu conheci um cara assim. Eu o classifiquei como um idiota e um sociopata.

Na sua opinião, quais medidas seriam mais eficazes para combater os abusos sexuais na Igreja?
Os bispos e pastores devem se comprometer a denunciar todas as ocorrências de abuso às autoridades civis. Essas alegações não podem mais ser mantidas em sigilo. Todas as investigações devem ser entregues às autoridades civis (a polícia), que são treinadas para realizá-las de forma adequada e imparcial. Os padres acusados de abuso devem ser removidos do serviço e de qualquer contato com as crianças até que os resultados da investigação sejam determinados. Qualquer bispo ou cardeal que esteja protegendo o perpetrador do abuso deve enfrentar as consequências e a responsabilidade. O Vaticano precisa determinar regras sobre quais serão essas consequências. A conscientização sobre abuso deve ser incorporada nas escolas paroquiais e nas classes de educação religiosa nas dioceses locais. As crianças devem ser ensinadas sobre o toque apropriado, quando e como dizer ;não; e que devem relatar tal contato impróprio a um adulto, preferivelmente um adulto em sua família, e não a outra pessoa dentro da Igreja. Já o chamado ;Selo da Confissão; deve ser revisado. Se um pastor souber de abuso infantil durante a confissão, ele não mais fique comprometido com o sigilo e, em vez disso, esteja em condições de agir de acordo com o que ouviu para tomar medidas de proteção a essa criança.

O que o senhor pensa sobre o celibato dos padres?
A Igreja precisa desenvolver uma atitude realista sobre a sexualidade humana e a natureza do sexo e relacionamentos. O celibato deve ser opcional. Essa exigência cria um ambiente em que pelo menos metade do sacerdócio (de acordo com a pesquisa de Richard Sipe) é incapaz ou não quer manter o celibato. Mas como a atividade sexual é tão altamente proibida, o celibato cria um ambiente em que uma grande porcentagem de padres, bispos e cardeais está lutando e não consegue cumprir o compromisso. Isso resulta em uma atmosfera de solidão, culpa e muitos membros que guardam segredos sobre sexo. Isso cria um ambiente onde um molestador de crianças pode encontrar um bom esconderijo. Também cria uma situação em que qualquer pessoa pode ser ;expulsa; ou chantageada. O Vaticano, ao exigir o celibato, está apenas pedindo problemas. É emocionalmente insalubre, cria uma teia desnecessária de sigilo e também dissuade muitos homens que, de outra forma, considerariam se unir ao sacerdócio.


Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação