Brasília-DF

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por Denise Rothenburg » deniserothenburg.df@dabr.com.br
postado em 03/03/2019 00:00





O PT e Lula

Políticos que estiveram no velório de Arthur, o neto de Lula que morreu aos 7 anos de meningite meningocócica, saíram para lá de preocupados com o estado de saúde do ex-presidente. Ainda que o petista recuse apelos à prisão domiciliar, a defesa deverá se empenhar nessa linha a fim de tirá-lo de Curitiba para que ele fique mais próximo da família nesse momento.

Esses mesmos políticos consideram que o PT deve se engajar na liberdade de Lula, mas não mais para que ele seja candidato. Uma turma acha que o petista já fez o que podia pelo partido e que cabe as novas gerações reinventar a legenda e coisa e tal.

Porém, um pequeno detalhe no gestual de Lula, ao deixar o cemitério ontem, deu a muitos a certeza de que ele não quer deixar de liderar o PT. Ele ficou em pé à porta do carro e acenou aos militantes. Ainda que não seja candidato, Lula quer continuar a comandar os petistas, seja na cadeia, seja fora dela.


Melhor de três

Com a escolha da nova direção nacional prevista para outubro deste ano, o PT terá três vertentes no jogo do poder interno: a da atual presidente, deputada Gleisi Hoffmann; a do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad; e a do que vem sendo chamado de ;grupo do Nordeste;, em especial o governador Wellington Dias, do Piauí, e o senador Jaques Wagner (BA).

A união fará a força
Se São Paulo de Haddad e o Paraná de Gleisi continuarem divididos, o Nordeste terá espaço e força para, pela primeira vez, tirar o comando do partido do centro-sul. Além de Wellington Dias e Wagner, o partido tem os governadores da Bahia, Rui Costa; do Ceará, Camilo Santana; e do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra.

Influência geral

Não são apenas os governadores que sustentam a força petista no Nordeste. Dos seis senadores do partido, quatro são nordestinos: Humberto Costa (PE), Rogério Carvalho (SE), Jean Paul (RN) e Wagner. É por essa região que muitos acreditam que o PT deve caminhar.

Enquanto isso, em Brasília;
O presidente Jair Bolsonaro faz as contas das reformas. Seus aliados calculam que o Congresso concentra hoje, pelo menos, 150 ;caçadores de Pokemons;, deputados que passam mais tempo de celular em punho, em lives nas redes sociais, do que nas articulações políticas. Desses, pelo menos dois terços são de partidos governistas. Logo, caberá a Bolsonaro ganhar esse grupo, mantendo as redes sociais alimentadas com propaganda favorável à proposta da nova Previdência.


CURTIDAS

Onde morava o perigo / Os petistas trocaram vários telefonemas na madrugada de ontem para desmobilizar grandes atos e manifestações em defesa de Lula. Ninguém queria dar pretexto para que o ex-presidente fosse proibido de comparecer ao velório do pequeno Arthur.

Redes de ódio / Mal Lula retornou a Curitiba, começou a circular pelo WhatsApp um vídeo do ex-presidente sorrindo num local fechado lotado de militantes, que gritavam ;Lula, ladrão, roubou meu coração;. Uma legenda dizia que ele fez um comício no velório. Não eram imagens do cemitério e, sim, de outro momento, pouco antes de o presidente ser preso.

Circuito democrático / Dos representantes de partidos com destaque em Pernambuco, só faltou o PSL no camarote do Galo da Madrugada, que abre o carnaval de Recife. A figura de seu presidente, Luciano Bivar (PE), entretanto foi lembrada nos foliões fantasiados de laranja.

Constrangedor / Dia desses, um deputado que não sai das redes anunciou a seus seguidores numa live que falaria na sessão da Câmara. O sujeito, de primeiro mandato, se aprumou, puxou o microfone de apartes e solicitou a palavra ao presidente da sessão. Ouviu na hora um ;o senhor não é líder, nem foi citado; portanto, não lhe cabe conceder a palavra nesse momento;. Santo mico, Batman!



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