Onda de ódio na internet

Onda de ódio na internet

BRUNO SANTA RITA Especial para o Correio
postado em 03/03/2019 00:00



A morte do neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dividiu as redes sociais com manifestações de apoio e também com uma onda de ódio. Internautas chegaram a comemorar a morte de Arthur, de apenas sete anos, em comentários no Facebook e no Twitter. Uma blogueira chegou a escrever ;menos um corrupto para roubar o país;.

Esse movimento de haters ganhou força na sexta-feira, quando o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) se manifestou contra a ida de Lula ao enterro do neto no Cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo do Campo (SP). Ele classificou o pedido como ;absurdo; e, além de chamar o ex-presidente de ;larápio;, afirmou que ele aproveitaria o funeral ;posando de coitado;.

Contudo, o deputado também recebeu críticas, inclusive, de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Alguns defenderam que, como a lei permite que um detento possa sair para ir ao enterro de um parente próximo, ;cabe à Justiça decidir;. Logo depois, o parlamentar procurou justificar as declarações. ;Perguntado se Lula deveria sair da cadeia, respondi que não ; até por uma questão de isonomia com os demais presos. Agora, sobre a morte da criança é óbvio que é um fato lamentável e indesejável. Isso independe de ideologia. Não misturem as coisas;, escreveu, ontem, no Twitter.

A professora de sociologia urbana e especialista em redes sociais da Universidade de Brasília Christiane Machado Coêlho explicou que as pessoas se sentem encorajadas a compartilhar manifestações de ódio e contra os direitos humanos quando estão em grupo. ;É como ocorre em torcidas de futebol. Nas redes sociais, grupos de pessoas têm mais facilidade de se entusiasmar e perder o senso crítico;, alertou. Christiane avaliou que esse tipo de atitude representa um perigo grande para a sociedade, uma vez que as redes refletem o comportamento do indivíduo. ;Esse assunto era para, inicialmente, trazer sensibilidade para as pessoas. O problema é que os usuários perdem o senso de humanidade e passam a arrumar desculpas para justificar a política ;olho por olho, dente por dente;;, lamentou.

A especialista ainda destacou que a motivação política pode potencializar essas ações de haters na internet. ;A insatisfação coletiva e a busca de ;bodes expiatórios; para explicar os problemas do país fortalecem essa prática. Muitas vezes, os próprios políticos geram essa movimentação nas pessoas;, disse. Ela lembrou que as fake news também são outro fator que podem incentivar a propagação de ódio na internet.




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