O mundo corporativo, agora, é dos doidos

O mundo corporativo, agora, é dos doidos

É o que defendem os autores de livro sobre o assunto. Os loucos a que eles se referem são profissionais que arriscam, são diferentes, mas entregam resultados surpreendentes %u2014 e os departamentos de RH têm começado a perceber isso

Samara Schwingel*
postado em 03/03/2019 00:00
 (foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)

O empresário Luis Paulo Luppa e o coach e consultor de gestão Sergio Lopes acreditam que os loucos geram mais resultados. Tanto que escreveram um livro sobre isso. Os autores destrincham um dos perfis mais controversos do universo corporativo: o do ;louco;. Só que o doido a que eles se referem difere do significado apresentado nos dicionários: trata-se de um profissional inconformado, curioso, por vezes, imprevisível, mas que, com isso, está um passo à frente dos concorrentes e entrega além do esperado. A publicação defende que pessoas diferentes geram resultados surpreendentes, por isso, é importante dar uma chance para os excêntricos que aparecem na equipe ou em entrevistas de emprego, pois eles podem ser mais efetivos que profissionais convencionais.

Esses trabalhadores exóticos não se deixam dominar pelo medo, em vez disso, o veem como desafio. A rejeição também não é problema: eles estão acostumados a ela; então, objeções se tornam parte do caminho e não os impedem de realizar. Por fim, o perfil traçado na obra é de quem aprendeu a converter a loucura em criatividade e entusiasmo. No passado, o colaborador louco era cortado na hora ou era visto como prejuízo, como um tipo que punha a empresa em risco. No entanto, arriscar também pode gerar bons resultados. E as firmas perceberam isso, portanto, passaram a buscar pessoas que não se encaixam nas velhas estruturas hierarquizadas na hora de contratar também.

Com o surgimento de novas tecnologias e de uma sociedade cada vez mais crítica, os departamentos de RH agora buscam colaboradores que saibam pensar fora dos padrões. Os autores chegaram a essas conclusões a partir de ampla experiência corporativa. Fundador da empresa de coach Performance Total, Sergio Lopes trabalha há mais de 35 anos com recursos humanos, liderança, pessoas e processos. Luis Paulo Luppa, diretor da Trend Operadora, empresa de turismo ligada à CVC, é diplomado em direito, pós-graduado em marketing e é autor de outras obras, como O vendedor Pitt Bull, que vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares.
Confira entrevista com os autores:

Quem são os profissionais diferentões citados no livro?
Sergio: Para nós, os loucos chegam a resultados acima do esperado, entregam mais que 100% do seu potencial constantemente. Pesquisando mais a fundo, descobrimos que eles têm três características principais: propósito claro, sabem quem são e o que vão deixar de legado; e buscam sempre aprimorar o conhecimento. Esse é um conjunto de competências que os diferencia dos demais. Partimos da ideia num primeiro momento de pessoas comuns, mas convivemos muito com pessoas diferentes. Então, tomamos a liberdade de citar loucos conhecidos por todos, que tinham essas características diferentes.

Luis Paulo: O objetivo central do livro nasceu de experiências ao longo da carreira, observando que as pessoas que se destacavam eram corajosas, preparadas e de muita atitude. Uma atitude alinhada com a coragem. Não eram pessoas preocupadas na maneira em como seriam vistas, mas, sim, com resultados. Você pode ser louco por amor e por comida, por que não pelo trabalho?

Como tem sido a reação dos leitores?
Sergio: A obra chegou às livrarias há pouco. Vamos fazer um movimento de divulgação a partir deste mês. Ainda assim, percebemos que o livro tem sido bem-recebido.

Luis Paulo: Tenho visto uma resposta muito boa. É interessante, pois é o primeiro livro sobre gestão de pessoas que escrevo. O retorno que recebo é de inspiração, pessoas que se sentem inspiradas a mudar. Eu lamento que o lançamento tenha sido em um período ruim para as livrarias no Brasil e a obra ainda não tenha recebido a visibilidade que merece.

O que vocês aprenderam enquanto escreviam?
Sergio: Quando estou atuando, trabalho de forma mais mecânica. Ao escrever o livro, começamos a refletir e a materializar conceitos e princípios que colecionamos ao longo da vida e a estruturá-los. Foi um aprendizado para reforçar aquilo enmque acredito e compartilhar o que aprendi.

Luis Paulo: Muito! Eu adoro escrever, quando você escreve, pode apagar e começar de novo e isso te faz pensar. Eu aprendi a dissecar essas pessoas de sucesso e a ativá-las.

Como o livro pode ajudar os leitores?
Sergio: Além de ajudar o profissional de RH a identificar os loucos, queremos mostrar para os gestores como eles devem lidar com esses talentos. Além disso, mostramos alguns caminhos para o profissional sair do lugar comum e se destacar. Acreditamos que, mesmo aqueles que não possuem essas características podem desenvolvê-las. Lembrando que o excesso de loucura é ruim e prejudicial.

Luis Paulo: Ajuda em dois pontos principais. O primeiro objetivo é sacudir a cabeça do corporativista de RH. Aquele que rejeita pessoas fora do padrão. É necessário entender que o único padrão que existe é o do sucesso. Esse era o objetivo principal, ajudar o profissional a perceber um louco e não deixá-lo passar. O segundo ponto é tentar mexer com as pessoas e fazê-las perceber que a transformação vem de dentro para fora. O louco é autossuficiente, ele não espera as coisas acontecerem.

Leia!
Os loucos geram mais resultados
Autores: Luis Paulo Luppa e
Sergio Lopes
Editora: Resultado
139 páginas
R$ 29,90

*Estagiária sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação