Mancha é campeã

Mancha é campeã

Terceira a desfilar na madrugada de sábado, escola da torcida do Palmeiras consegue sua primeira vitória na história do carnaval de São Paulo com enredo em homenagem à guerreira negra Aqualtune, avó de Zumbi dos Palmares e símbolo de luta pelos direitos das mulheres

» ALESSANDRA AZEVEDO » BRUNO SANTA RITA- Especial para o Correio
postado em 06/03/2019 00:00
 (foto: Miguel Schincariol/AFP - 2/3/19)
(foto: Miguel Schincariol/AFP - 2/3/19)


Pela primeira vez na história, a Mancha Verde foi a grande vencedora do carnaval de São Paulo, após emocionante desfile sobre intolerância religiosa, escravidão e direitos sociais das minorias. A escola da torcida do Palmeiras levou o troféu com a homenagem à guerreira negra Aqualtune, avó de Zumbi dos Palmares, símbolo da luta pelos direitos de negros e mulheres.

O enredo ;Óxala, salve a princesa! A saga de uma guerreira negra!” agradou e comoveu o público e os jurados. Uma das alegorias trazia passistas com as mãos acorrentadas, em referência a mulheres africanas que eram exploradas como escravas. Em uma das alas, o sangue dos escravos foi exposto em um mar vermelho. No último carro, o destaque foi Zumbi, líder do quilombo dos Palmares.

A escola do Palmeiras foi a terceira a desfilar no Anhembi durante a madrugada de sábado, com a atriz Viviane Araújo como rainha da bateria pela 13; vez. A sua fantasia fazia referência à princesa Aqualtune, e os carros alegóricos, nas cores verde, branco e vermelho, traziam dezenas de referências à cultura africana. O samba-enredo foi composto por Sereno, Chefia, Darlan Alves, André Ricardo, Rodrigo e Rodolfo Minueto e Gui Cruz.

Trajetória

A apuração ocorreu na tarde de ontem no Sambódromo do Anhembi, na Zona Norte da capital paulista. Na expectativa, os torcedores e membros das escolas de samba compartilharam a angústia de escutar as notas dos jurados uma por vez. Com a mão no terço, pedidos foram feitos, porém, apenas os da Mancha foram atendidos.

A vencedora tem subido no ranking nos últimos anos. Em 2018, conseguiu o terceiro lugar. Desta vez, deixou para trás a Acadêmicos do Tatuapé, que ganhou os dois últimos carnavais de São Paulo, e a Mocidade Alegre, que foi a vice-campeã no ano passado.

A Tatuapé, este ano, ficou em sétimo lugar. A escola liderou a disputa nos oito primeiros quesitos, mas, no nono, o de alegoria, perdeu pontos e foi ultrapassada pela Mancha, que levou o troféu. Os quesitos avaliados pelos jurados foram: samba-enredo, fantasia, harmonia, comissão de frente, bateria, evolução, mestre-sala e porta-bandeira, enredo e alegoria.

Na bateria, só a Colorado do Brás não recebeu nota máxima. No samba-enredo, seis não foram agraciadas com a pontuação máxima, dentre elas, Império de Casa Verde e Vai-Vai. No quesito fantasia, quem levou a pior foi a escola Tom Maior, que recebeu nota máxima apenas de um dos jurados.

Com o resultado da apuração, Vai-Vai e Acadêmicos do Tucuruvi foram rebaixadas para o Grupo de Acesso. É a primeira vez que a Vai-Vai, maior campeã do carnaval paulistano, com 15 títulos, acaba caindo para a segunda divisão dos desfiles de São Paulo.

Festa

A quadra da Mancha Verde, na zona oeste de São Paulo, foi tomada por torcedores da verde e branco após a divulgação do resultado no Anhembi. Mesmo na chuva, grupos de amigos, famílias com crianças e casais lotaram a sede da agremiação para comemorar o título inédito.

Outra grande festa é esperada na noite de sexta-feira, no Sambódromo paulistano. A Mancha vai fechar o Desfile das Campeãs, acompanhada pelas outras quatro mais bem classificadas deste ano: Dragões da Real, Rosas de Ouro, Unidos de Vila Maria e Império de Casa Verde, além da campeã e da vice do Grupo de Acesso: Pérola Negra e Barroca Zona Sul.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação