Trump vê "abuso de poder"

Trump vê "abuso de poder"

Após a decisão da Câmara dos Representantes de iniciar uma investigação contra ele, os filhos e a empresa, presidente acusa democratas de obstrução da Justiça e de conluio com os russos. Especialista cita uso da Casa Branca para fins pessoais

Rodrigo Craveiro
postado em 06/03/2019 00:00
 (foto: Saul Loeb/AFP
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(foto: Saul Loeb/AFP )



O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu com fúria à decisão da Câmara dos Representantes de iniciar uma investigação centrada em suspeitas de ;obstaculização da Justiça, corrupção e outros abusos de poder; por parte do magnata, seus associados e membros de sua administração. Por meio do Twitter, Trump atacou a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e congressistas da oposição. ;O maior abuso da história de nosso país. Os democratas estão obstruindo a Justiça e nada farão. Empreendem uma grande e farta cruzada, desesperadamente em busca de um crime, quando, na verdade, o crime real é o que os democratas estão fazendo e têm feito;, afirmou. ;Agora, que eles perceberam que o único conluio com a Rússia foi feito pela trapaceira Hillary Clinton e pelos democratas, Jerry (Nadler), (Adam) Schiff e os líderes dos comitês democratas ficaram loucos de pedra. Oitenta e uma cartas a pessoas inocentes para assediá-las. Eles nada farão pelo nosso país! Presidente assediado!”, acrescentou.

A Comissão Judicial da Câmara, comandada por Jerry Nadler, enviou e-mails a 81 pessoas e organizações, entre elas Eric e Donald Jr. Trump (filhos do presidente); Allen Weisselberg, o diretor financeiro da empresa do presidente, a Organização Trump; o advogado pessoal do presidente, Jay Sekulow; ex-assessores da Casa Branca como Steve Bannon, Sean Spicer e Hope Hicks; além do fundador do WikiLeaks, Julian Assange. A mensagem determina o repasse de documentos ao Capitólio em um prazo de duas semanas. A intenção dos parlamentares é a de apurar o envolvimento de Trump no conluio com a Rússia, os pagamentos para silenciar supostas amantes e a análise das atividades das Organizações Trump.

James Naylor Green, historiador da Brown University (em Rhode Island), não se surpreende com a decisão da Câmara de abrir o inquérito. ;Parece tão óbvio a qualquer um atento às notícias que Jared Kushner e Ivanka Trump estão envolvidos no uso da Presidência dos EUA para ganhos pessoais;, afirmou ao Correio, ao citar o genro e a filha de Trump. ;Não deveria ser surpresa para ninguém o fato de a Câmara querer investigar os negócios do clã Trump. É claro que o presidente reagirá agressivamente e tentará bloquear o inquérito. Os republicanos nada farão para criticá-lo. Por sua vez, os democratas, provavelmente, encontrarão evidências de atividades criminais. Creio que a Justiça vai denunciar Jared, Donald Trump Jr. e Ivanka. Pessoas do círculo de Trump vão cooperar com Robert Mueller;, acrescentou. Mueller, procurador especial encarregado de investigar a suposta interferência da Rússia nas eleições de 2016.

Muro
A Casa Branca trabalha nos bastidores para evitar a deserção de republicanos às vésperas da votação da declaração de emergência nacional no Senado, a qual busca forçar o Congresso a liberar fundos bilionários para a construção de um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México. A expectativa é de que o Senado vote ainda nesta semana. De acordo com o jornal The New York Times, a fronteira se aproxima do colapso: apenas em fevereiro, mais de 76 mil migrantes ilegais entraram nos Estados Unidos a partir do México.




Eu acho...

;Ainda me parece muito remoto que um número suficiente de republicanos se unirá aos democratas para desafiar o presidente, o que significa que o Partido Democrata será bastante relutante em trazer acusações contra Trump e em começar o processo de impeachment. Tudo dependerá se uma quantidade razoável de republicanos começará a desertar, em meio a novas evidências criminais que possam provocar um movimento dentro do partido para abandonar Trump.;

James Naylor Green, historiador da Brown University (em Rhode Island)





Hillary fora do páreo

A ex-secretária de Estado Hillary Clinton anunciou que não concorrerá à Casa Branca em 2020. A democrata, no entanto, sinalizou que manterá o engajamento político durante a campanha. ;Não vou a lugar nenhum;, disse à rede de TV News12. ;O que está em jogo em nosso país, o tipo de coisas que estão ocorrendo bem agora, é algo profundamente perturbador para mim;, admitiu. Em 2016, Hillary perdeu as eleições para o republicano Donald Trump no Colégio Eleitoral, apesar de ter vencido em número de eleitores. ;Eu continuarei trabalhando, falando e me levantando pelo que eu acredito;, afirmou.





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