Ministro trabalha sob pressão

Ministro trabalha sob pressão

postado em 09/03/2019 00:00
 (foto: Valter Campanato/Agência Brasil - 21/11/18)
(foto: Valter Campanato/Agência Brasil - 21/11/18)


A permanência do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, está por um fio. Suspeito de liberar verbas públicas para candidaturas laranjas, em Minas Gerais, quando era presidente do diretório estadual do PSL, o auxiliar sofre forte pressão dentro do governo e entre correligionários no Congresso. A fritura é escaldante e só o presidente Jair Bolsonaro ainda o mantém na pasta. No entanto, o próprio chefe do Palácio do Planalto foi evasivo e sequer cogitou defendê-lo. Limitou-se a dizer para que deixem as ;investigações continuarem;.

O tombo de Álvaro Antônio é uma questão de tempo dentro da bancada do PSL na Câmara e no Senado. Nesta semana, Zuleide Oliveira, filiada do PSL, acusou o ministro de convidá-la para ser candidata nas eleições em 2018. Entretanto, a candidatura teria sido organizada para que ela pudesse devolver os recursos ao partido. Em entrevista ao Jornal Nacional na quinta-feira, disse que, no ano passado, recebeu R$ 60 mil do fundo partidário para tocar a campanha. Desse montante, foi alertada que precisaria devolver R$ 45 mil.

As declarações, dadas em horário nobre e em rede nacional, enfureceram parlamentares no Congresso. ;Não tem como permanecer. Pelo bem da imagem do governo, ou o presidente o exonera ou ele deixa o ministério;, ponderou um deputado do PSL. O coro é endossado pela deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP). ;Entendo que ele já deveria ter sido afastado. O ministro tem todo direito de se defender, mas a manutenção dele no ministério está comprometendo todo o governo;, disse ao jornal Estado de São Paulo.

O ministro, por ora, tenta se defender como pode. As acusações de Zuleide foram negadas por Álvaro Antônio. Para ele, ela mente ;descaradamente;. O ministro chegou a cogitar a ideia de pedir transferência do processo da Justiça de Minas Gerais para o Supremo Tribunal Federal (STF), alegando o foro privilegiado, uma vez que os supostos crimes teriam sido cometidos no exercício do mandato de deputado federal e em razão de atividade parlamentar. Entretanto, desistiu do recurso protocolado pela defesa na Suprema Corte.

O caso está sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público. Outras quatro candidatas do PSL em Minas Gerais também estão sob investigação pelas autoridades por suspeita de candidatura fantasma. A denúncia é de que o dinheiro enviado às candidatas tenha sido devolvido a assessores do ministro. (RC)

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