Aliados estão na bronca

Aliados estão na bronca

» MARIA EDUARDA CARDIM
postado em 09/03/2019 00:00
 (foto: Mauro Ventura e Matheus Bazzo/Divulgação)
(foto: Mauro Ventura e Matheus Bazzo/Divulgação)


A semana marcada por polêmicas do presidente da República, Jair Bolsonaro, seja nas redes sociais, seja em discursos realizados em solenidades, acabou com algumas críticas feitas por aliados do próprio governo. O filósofo e ensaísta Olavo de Carvalho e o deputado federal Marco Feliciano (Podemos-SP) usaram as redes sociais para expressar o descontentamento com alguns pontos do início da gestão de Bolsonaro.

Enquanto Olavo de Carvalho, chamado de guru de Bolsonaro, pediu para que seus alunos que ocupam cargos no governo abandonassem os postos e voltassem aos estudos, o pastor Marco Feliciano criticou a comunicação da Presidência. Olavo usou o argumento de que ;o presente governo está repleto de inimigos do presidente e inimigos do povo;. Segundo reportagem do Estado de São Paulo, entretanto, o pedido do ensaísta veio depois que nomes ligados a ele e que assessoravam diretamente o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, foram exonerados.

A ;limpa; na pasta veio após a polêmica carta do ministro, pedindo que fossem feitas imagens de alunos cantando o Hino Nacional nas escolas. No documento, também havia o lema de campanha de Jair Bolsonaro (;Brasil acima de tudo, Deus acima de todos;). As críticas vieram, e Ricardo Vélez voltou atrás e refez a carta. O próprio Planalto teria aconselhado o ministro a dispensar os assessores que influenciaram em decisões com viés ideológico.

Na análise do cientista político Lúcio Rennó, apesar de poupar o presidente na postagem, que o cientista político avaliou como vaga e ampla, o filósofo expõe algumas desavenças e desentendimentos da atual administração. ;É um problema grave para o governo, se ele pretende aprovar propostas de reformas profundas no nosso sistema;, ressalta. O professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) acredita que será preciso um esforço muito maior de coordenação.

No Twitter

Quem chegou a pedir por um esforço melhor na comunicação do presidente foi o aliado Marco Feliciano. Em uma sequência de postagens feitas no Twitter, o deputado declarou insatisfação e alertou o chefe do Executivo e seus dois filhos, Carlos e Eduardo Bolsonaro, ao chamar a esquerda de ;profissional;. ;Ou vocês criam um grupo político e intelectualmente preparado, ou todos os dias irão sangrar;, postou.

Lúcio Rennó volta a sinalizar o peso das críticas feitas por um aliado com o nome de Feliciano. ;Ele não é um personagem trivial. As críticas que ele faz é de um ator preocupado com o sucesso do governo;, indica Rennó. O cientista político acredita que Bolsonaro ainda não encontrou o tom de fazer publicações como presidente. ;Tem gerado mais problemas do que soluções;, completa.

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