Abdelaziz Bouteflika em xeque

Abdelaziz Bouteflika em xeque

postado em 09/03/2019 00:00
 (foto: Ryad Kramdi/AFP)
(foto: Ryad Kramdi/AFP)

Dezenas de milhares de pessoas ocuparam ontem as ruas do centro de Argel e de outras cidades argelinas para protestar contra a decisão do presidente Abdelaziz Bouteflika, há 20 anos no poder, de disputar um quinto mandato nas eleições do próximo mês. Foi a terceira sexta-feira consecutiva de uma mobilização maciça na capital, e que ganha adesões consistentes a cada semana. O ponto de encontro, mais uma vez, foi a Praça da Grande Poste, que ficou lotada, assim como uma das principais vias da cidade.

;Não ao quinto mandato de Buteflika!”, foi a palavra de ordem da multidão, que começou a se reunir ao fim das orações. Houve pequenos confrontos. No geral, os policiais se limitaram a observar. Várias viaturas, inclusive, tiveram que deixar a praça devido à maré humana concentrada no local. Motoristas fizeram um buzinaço e vários argelinos colocaram a bandeira nacional ; verde e branca com uma estrela vermelha ; na janela de sua residência.

Ao fim da marcha, os manifestantes se dispersaram calmamente, e as ruas da capital ficaram vazias à noite. Segundo fontes de segurança, veículos de comunicação argelinos e redes sociais, também houve importantes manifestações, igualmente pacíficas, em várias partes do país, como Oran e Constantina, segunda e terceira cidades da Argélia.

Prisão
O presidente, de 82 anos, está confinado a uma cadeira de rodas desde que sofreu um derrame cerebral em 2013 e raramente aparece em público. Ele está internado desde o mês passado no Hospital Universitário de Genebra, onde seu adversário político Rachid Nekkaz foi preso ontem, sob acusação de invasão de domicílio com a intenção de realizar um ato político. Nekkaz, um empresário de 47 anos nascido na França, liderava uma manifestação com dezenas de apoiadores diante do hospital.

Na véspera das manifestações, Bouteflika alertou a nação para a possibilidade de ;caos; no país diante tantas manifestações. Por meio de uma nota, ele comemorou o fato de o ;pluralismo democrático ser uma realidade no país;, mas emitiu um alerta sobre ;infiltrações; nos protestos e em função disso pediu cautela.

No comunicado, Bouteflika não mencionou a própria candidatura, anunciada em 10 de fevereiro, como um gatilho para as manifestações. No lugar disso, fez uma referência à necessidade de se evitar o retorno ao que classificou como uma ;tragédia nacional;, referindo-se à sangrenta guerra civil que se arrastou no país por uma década.

O alerta do presidente foi feito no mesmo dia em que milhares de advogados tomaram as ruas da capital, para protestar contra a nova candidatura nas eleições de 18 de abril por causa do delicado estado de saúde do presidente.

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