O depoimento de Ricardo Boechat

O depoimento de Ricardo Boechat

postado em 09/03/2019 00:00
 (foto: Rede Bandeirantes/Divulgação)
(foto: Rede Bandeirantes/Divulgação)


O jornalista Ricardo Boechat, morto recentemente em um acidente de helicóptero, era amigo de Aziz Ahmed. Boechat concedeu uma entrevista de três horas, a última de sua vida. Contou que o pai era militante comunista e foi demitido da Petrobras quando veio a ditadura. Toda a família viveu um período dramático: ;Ele chegou a fazer um teste para vender sepultura em um empreendimento, mas não foi aprovado;.

A mãe e o próprio Boechat passaram a vender livros. Uma das pessoas para quem tentou comercializar as obras literárias era diretor comercial do Diário de Notícias e o indicou para uma vaga de repórter no jornal: ;Ele disse que foi uma etapa que marcou muito a vida dele,; lembra Aziz. ;Foram muitas batidas da polícia na casa dele. Muito tempo depois, ele teve acesso a um relatório do serviço de inteligência, que apontava a casa da família dele como um local onde se guardavam as armas para atividades subversivas, e a mãe dele era acusada de ser uma agente do grupo terrorista Tupanaros. Uma coisa totalmente absurda. A mãe era uma pobre portenha, que viajava para o Uruguai para tratar da irmã de Boechat;.

Boechat faz um relato de como conheceu e se tornou amigo dos empresários Paulo Marinho e Nelson Tanuri, amizade que provocou a saída dele de O Globo. A revista Veja revelou conversas clandestinas, que comprometeram Boechat. No livro, ele conta a sua versão dos fatos e diz que, no fim das contas, foi bom, porque ele teve a oportunidade de trabalhar na televisão e abrir novas perspectivas para a sua carreira: ;A tempestade me levou para outras praias;, diz Boechat no depoimento. ;Penso que estou no melhor momento da minha vida. Se nada disso tivesse acontecido, não teria ido para a Band e não teria condições melhores e um salário melhor. Aquelas baixezas e tristezas pertencem ao passado;.

Ele conta a história de furos que conseguiu no jornalismo e também o relacionamento tenso dos tempos em que era assistente do famoso colunista social Ibraim Sued. Certa vez, Ibraim pediu para Boechat para ligar ao Kremlim. Era grosseiro, vivia dando broncas terríveis. Mas Boechat fazia muitas ligações internacionais intermediadas pela secretária. Ela conseguiu fazer a absurda conexão: ;A secretária disse para Boechat: ;Kremlim na linha;. Boechat chamou Ibraim, que deu tremenda bronca: ;Você está louco, veja se vou gastar meu dinheiro com essa porcaria;. Depois de 12 anos, não aguentou e avisou que não queria mais trabalhar com Ibraim e seguiu carreira no jornalismo. (SF)


Entrevistados

Aluizio Maranhão

Anna Ramalho

Aristóteles Drummond

Arnaldo Niskier

Bruno Thys

Cícero Sandroni

Fernando Carlos Andrade

Fuad Atala

Gilson Campos

Henrique Caban

Jarbas Domingos

J. B. Serra e Gurgel

Jomar Pereira da Silva

José Silveira

Luiz Edgar de Andrade

Milton Coelho da Graça

Miranda Jordão

Nelson Lemos

Nilo Duarte

Nilson Lage

Paulo Jerônimo

Pery Cotta

Pinheiro Junior

Ricardo Boechat

Telmo Wamber

Walter Fontoura


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