Venezuela afunda no caos

Venezuela afunda no caos

Nicolás Maduro e Juan Guaidó trocam acusações no terceiro dia de apagão que levou o caos ao país. Presidente denuncia Estados Unidos por "sabotagem tecnológica", enquanto líder da oposição responsabiliza chavista pela crise

postado em 10/03/2019 00:00
 (foto: Federico Parra/AFP
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(foto: Federico Parra/AFP )











Em meio ao mais longo apagão na Venezuela em décadas, milhares de pessoas foram às ruas de Caracas, convocadas pelo líder da oposição Juan Guaidó e pelo presidente Nicolás Maduro. Houve momentos de tensão, em que o Batalhão de Choque chegou a usar gás lacrimogêneo contra grupos que pediam a saída do governante. Autoproclamado presidente interino, Guaidó chegou à Avenida Victoria por volta das 15h30 e realizou um comício. Como a polícia impediu a instalação de um palco, ele subiu em um carro e, com um megafone, convocou as pessoas a não saírem das ruas até que Maduro renuncie.

;Devemos denunciar com responsabilidade a crise da gasolina, da água e dos hospitais. Tem nome e sobrenome: Nicolás Maduro;, discursou Guaidó. Desde às 16h53 de quinta-feira (horário de Caracas), a Venezuela enfrenta cortes de energia que não pouparam nem hospitais (leia mais nesta página), paralisaram o metrô, interromperam as telecomunicações e forçaram o fechamento de escolas, comércio e escritórios. Quase todos os 23 estados no país de 30 milhões de habitantes foram afetados. Ontem, a situação começou a ser normalizada, mas, durante as marchas pró e contra Maduro, os manifestantes foram surpreendidos com mais um apagão.

Falando a apoiadores no centro de Caracas uma hora depois do comício de Guaidó, Nicolás Maduro chamou os cortes de ;guerra elétrica;. Ele afirmou que as Forças Armadas detectaram a existência de ;ataques cibernéticos e eletromagnéticos dirigidos desde o estrangeiro, direto dos Estados Unidos;, com objetivo de ;desestabilizar a Venezuela;. De acordo com Maduro, há pessoas infiltradas no setor energético do país, de onde teriam arquitetado uma ;sabotagem;.

O presidente também afirmou que ;centenas; de pessoas foram flagradas cortando cabos de energia e garantiu que o país está sofrendo sabotagem tecnológica. ;Estamos diante da mais grave agressão do imperialismo norte-americano contra nossa pátria em toda a história de 200 anos de República;, discursou. Maduro garantiu que, na sexta-feira, o governo restabeleceu 70% da energia cortada.

;Não aguentamos;
Monitorados de perto por agentes do Serviço de Inteligência venezuelano e pelo Batalhão de Choque, os manifestantes que pediam a saída de Maduro do poder reclamavam da crise intensificada pelos apagões. ;Não tem água, nem luz, nem comida. Não aguentamos mais;, disse Jorge Lugo, morador do bairro de Santa Mônica, em Caracas. ;O problema é a comida. Tinha comprado carne e vai estragar. Vou à marcha, porque tem que haver uma mudança. Estamos cansados;, afirmou Luis Álvarez, empregado em uma transportadora.

Pela manhã, os opositores ao regime e a polícia venezuelana entraram em confronto. Ao tentarem ocupar a Avenida Victoria, os manifestantes foram impedidos e retirados da calçada. Uma mulher foi atingida por spray de pimenta. ;A polícia é abusiva mesmo que também sofra da mesma calamidade que a gente;, disse a comerciante Lilia Trocel, 58 anos. ;Eu ainda não tenho energia e perdi parte da minha comida;, declarou. ;Queremos marchar;, gritavam os seguidores de Guaidó ao contingente policial. À tarde, depois de lançar gás lacrimogêneo, os policiais se retiraram da avenida, sendo bastante aplaudidos pela população.

No comício dirigido a seus apoiadores, no que chamou de ;marcha anti-imperialista;, Nicolás Maduro chamou Juan Guaidó de ;palhaço; e ;golpista;. Sobre a ajuda humanitária oferecida por países latino-americanos, incluindo o Brasil, o governante afirmou que não era ;ajuda;, nem ;humanitária;. ;Dissemos que não passariam e não passaram.;


;Estamos diante da mais grave agressão do imperialismo norte-americano contra nossa pátria em toda a história de 200 anos de República;

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela

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