Visto, lido e ouvido

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Desde 1960

Circe Cunha (interina) / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 10/03/2019 00:00

Somos ricos, mas não sabemos disso


Numa análise simples, é possível verificar que o potencial da biodiversidade de regiões como a Amazônica é infinitamente maior do que a criação de gado, a mineração e outros. Para se ter uma ideia o guaraná, a castanha-do-pará, a andiroba, a copaíba e outros produtos que antes tinham pequeno valor econômico hoje são bem cotados dentro e principalmente fora do país.

O caso do açaí é exemplar. Hoje, essa fruta tem uma produção de 250 milhões de toneladas e é consumida em todo o mundo, gerando riqueza e, principalmente, mantendo a floresta em pé. Apenas com relação a esse único produto, já se sabe agora que a semente e o palmito do açaí possuem, também, múltiplos e fantásticos usos, o que pode aumentar ainda mais o valor desse produto nos mercados interno e externo.

Essa fruta, até há pouco tempo desconhecida da maioria dos brasileiros de outras regiões, gera em divisa para a Amazônia
US$ 1,8 bilhão ao ano. Na indústria mundial, esse valor, diz, é 10 vezes maior. E esse é apenas um produto. Portanto, é preciso entender essa diversidade biológica a partir do biomimetismo, ou seja, entendendo como a natureza resolveu certos problemas.

Nesse ponto, o cientista Carlos Nobre cita o exemplo de uma colega da Amazônia, que, através da observação da garra da formiga cortadeira daquela região, desenvolveu uma pinça cirúrgica muito mais eficiente e que hoje está sendo muito usada em outras partes do mundo. A Amazônia será o grande celeiro de conhecimento da bioeconomia.

Para esse respeitado pesquisador, temos que ter um profundo orgulho nacional de criar um modelo de desenvolvimento e sermos o primeiro país tropical a vir a ser desenvolvido graças à nossa própria biotecnologia. Temos, ainda, segundo Carlos Nobre, que aprender e respeitar o valor, com repartição de benefício, do conhecimento tradicional, sobretudo das comunidades indígenas, que possuem um grande conhecimento da riqueza dessa nossa biodiversidade.

Temos que ser descobridores da nossa biodiversidade e não copiar outros países, para tanto teremos que fortalecer muito nossa capacidade científica. O caminho é longo. É necessário ter essa autonomia, essa vontade, preparar o país, reforçando nossas pesquisas científicas internas.

Segundo Carlos Nobre, a pesquisa em nosso país, nos últimos anos, tem ido totalmente na contramão do que vem sendo em outros países. Nossas pesquisas, diz o cientista, estão sendo abaladas, desprestigiadas, e mesmo massacradas, o que prova que a ciência brasileira continua a não ser vista estrategicamente por aqueles que estão no comando do país. Na medida em que as pesquisas científicas no Brasil não são vistas como elemento central de desenvolvimento, o que teremos pela frente é o caminho do retrocesso muito mais perigoso, a longo prazo, do que as próprias crises políticas que agora experimentamos com a descoberta dessa avalanche de casos de corrupção.

Desprestigiar a nossa ciência, avalia, amputa a capacidade do Brasil de crescer a longo prazo. É preciso, ainda, deixar claro que a biotecnologia e a bioeconomia são ciências interdisciplinares, até mesmo transdisciplinar, e que envolvem não apenas biólogos, mas bioquímicos, engenheiros de biotecnologia, físicos, químicos e todo o amplo conjunto de técnicos, que vão transformar toda essa riqueza biológica em bem-estar social para os brasileiros.

Temos, portanto, segundo acredita o cientista, como missão, daqui para frente, pensar um modelo brasileiro e tropical de desenvolvimento com base em nosso principal ativo, que é a nossa riquíssima biodiversidade, que teremos que proteger contra as investidas cegas de outros setores da economia, como vem sendo feito, por exemplo, pelo agronegócio.


A frase que não foi pronunciada


;Acredito que o crescimento econômico deve se traduzir em felicidade e progresso de todos. Junto com isso, deve haver desenvolvimento de arte e cultura, literatura e educação, ciência e tecnologia. Temos que ver como aproveitar os muitos recursos da Índia para alcançar o bem comum e para o crescimento inclusivo.;

Pratibha Patil, presidente da Índia de 2007 até 2012.



Na Noruega

; Um reconhecimento importantíssimo no Dia Internacional das Mulheres. Através do Assistance Act, várias pessoas importantes da Noruega votaram em mulheres pelo mundo que mereceram destaque pela luta na igualdade de gêneros e incansável busca pela justiça. Destacamos Iara Pietricovsky, moradora de Brasília desde a construção da cidade. Ela foi escolhida como modelo de inspiração para Wenche Fone, chefe do departamento da sociedade civil em Norad.


Reconhecimento

; Wenche Fone acredita que a chefe do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) é uma das vozes mais fortes do Brasil. Iara Pietricovsky de Oliveira é implacável em relação ao abuso de poder. ;Ninguém é intocado pela mensagem de Iara.; Falando em nome da organização do Inesc, ela não está sozinha, mas com uma infinidade de pequenas e grandes organizações em todo o Brasil. Talvez seja precisamente a força da vida organizacional que o Brasil pode apoiar agora.


Brasileira


; Iara sempre enalteceu a consciência pública e a consciência coletiva, enquanto sociedade, para garantir a sobrevivência do planeta compreendendo a adversidade. Fazer daTerra um lugar sustentável para todos os habitantes pode ser o resultado da união de ideias e lutas, defende Iara.


História de Brasília

Os exemplos da câmara, isto sim, é que deveriam ser seguidos. Novos planejamentos para integração nacional é que deveriam ser estudados. Esta é que é uma atitude decente. (Publicado em 14.11.1961)

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