360 Graus

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por Jane Godoy janegodoy.df@dabr.com.br
postado em 10/03/2019 00:00
 (foto:  Arquivo Pessoal/Divulgação)
(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

Depois da folia, o Brasil mostra a sua cara

É tempo de carnaval. De muita alegria. De vestir a fantasia, seja lá do que for, e sair por aí com os amigos, com a família.

É uma época em que quem quer ser rei vira rei; quem quer ser princesa vira princesa, assim como pirata, marinheiro equilibrista, havaiana e até bichinhos de sua preferência. A ordem é brincar, esquecer tudo aquilo que faz parte desagradável ou pesada do dia a dia. É hora de brincar e brincar, de namorar, de conquistar, de beijar e fazer juras de amor, embalada pela música contagiante e as bebidinhas eletrizantes.

;Carnaval é carnaval;, todos fazem questão de ressaltar, como que fazendo uma defesa prévia de tudo o que possa acontecer naqueles quatro, cinco, seis ou mais dias de folia, dependendo da região.

Para quem não curte a barulheira e se espremer nas ladeiras de Salvador e Olinda, preferir a calma da natureza, o ventinho suave a desalinhar os cabelos, o canto dos pássaros, o mugir do gado ou apanhar frutas fresquinhas no pomar ou uma chegada até a beira do rio, onde se pode (ainda) pescar aquele peixe transbordando de ômega três e saúde para dar e vender pode ser o melhor dos carnavais.

Além disso, temos o maior ;espetáculo da Terra; que, a cada ano, encanta as multidões e atrai centenas de milhares de turistas que, embasbacados e em estado de graça, podem assistir às maravilhas e performances das escolas de samba que, atualmente, se transformaram em verdadeiro duelo de titãs, entre Rio de Janeiro e São Paulo.

Para quem é adepto do cocooning ; encasulamento ;, como eu, ou seja, pessoas que adoram ficar recolhidas ;no recôndito do lar;, com a família, vendo os desfiles e tudo o que acontece pelo país, garanto que, também, é um ;senhor carnaval;.

Mas; Pena que o tal do ;mas; sempre tem que aparecer e causar.

Ao apagar das luzes, ao desligar dos holofotes e ao fazer com que, como nos contos de fadas, as carruagens viram abóboras, eis que temos que assistir a um espetáculo deprimente e desolador, nos levando à triste conclusão de que nós, brasileiros, jamais chegaremos a ser o que se canta em prosa e verso desde que éramos crianças: um povo civilizado ;como os japoneses;.

Muita festa, muito luxo, muita alegoria, plumas e paetês e, que triste, tão pouca ou nenhuma educação. Saem os reis e princesas, barões e mulheres fenomenais, esculturais com seus corpos brilhosos e rijos, ficam a sujeira, as garrafas e os copos descartáveis, os restos das fantasias que não servirão mais, e muito mais que nossa vã filosofia poderia imaginar. (foto).

Se, antes das apresentações das escolas, quando os organizadores mandam distribuir centenas de milhares de bandeiras, ventarolas ou o que quer que seja para alegrar e embelezar a arquibancada, com a logo da escola, por que não têm o mesmo trabalho para fazer chegar a cada visitante um saco de lixo, com a recomendação civilizada para que o usem e não descartem a sujeira por todos os lados?

Por que não atrelar a diversão à prática da educação? Ao respeito pelo meio ambiente, pela natureza, pela cidade, pelo próximo e pelo próprio local que lhes proporciona tanta coisa bonita?

Depois, com bueiros e bocas de lobo entupidos, rios cheios de plástico, lixo e detritos que matam os peixes e assoream suas águas, as enchentes chegam, levam tudo, destroem tudo, matam.

Com tristeza ouvi de alguém que ;os garis limpam e recolhem tudo depois dos desfiles;. Quem pensa assim é porque não entende ou reconhece que essa não é a vantagem ; exército de garis. A vantagem é ter um exército de cidadãos que cuidam e se preocupam com o planeta e, mais ainda, como lugar onde se sentam ou que têm certeza de que outra pessoa se sentará ali.

Que pena; Onde existe o maior espetáculo da Terra oferecemos, também, o maior espetáculo de má educação e falta de civilidade e respeito.

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