Número 2 do MEC é exonerado do cargo

Número 2 do MEC é exonerado do cargo

INGRID SOARES ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 13/03/2019 00:00
O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, exonerou ontem o número 2 da pasta, o secretário executivo Luiz Antonio Tozi. É mais um episódio da crise instalada no MEC por disputas internas. Outros seis assessores do alto escalão da pasta, ligados ao filósofo Olavo de Carvalho, considerado ideólogo do governo e responsável pela indicação do próprio ministro, foram afastados na semana passada.

Em postagem no Twitter, Vélez disse que a decisão dá sequência a ;mudanças necessárias; e anunciou a transferência do cargo para Rubens Barreto da Silva, nomeado recentemente como secretário executivo-adjunto, depois que Eduardo Melo foi exonerado. O ministro disse que está 100% alinhado com o Planalto e ;agora, mais do que nunca, focado na real mudança da educação no país;. ;Seguiremos com a Lava-Jato da Educação;, afirmou.

Olavo de Carvalho afirmou não ter a intenção de ;derrubar ministros;. O Planalto tenta evitar a demissão de um segundo ministro com menos de três meses de governo. Ontem, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que Vélez Rodríguez continua à frente da pasta.

A crise se agravou com uma carta enviada às escolas por Vélez, no fim de fevereiro, pedindo que o slogan de campanha de Bolsonaro fosse lido para as crianças e que elas fossem filmadas cantando o Hino Nacional. A polêmica gerada fez a pasta revogar a medida.

Profissionais da área e entidades educacionais reclamam que as desavenças prejudicam a rotina do ministério, que trava políticas importantes. Para a professora de política educacional da Universidade de Brasília (UnB) Catarina de Almeida Santos, a crise demonstra a falta de perspectivas da pasta.

;O MEC teria que implantar a reforma do ensino médio, as novas diretrizes e a Base Nacional das etapas, sem falar no ensino superior. Temos problemas de toda ordem, e tudo o que se sabe do MEC são brigas internas. O novo governo não disse a que veio na educação;, criticou. ;O Brasil apresenta problemas de todos os matizes. Quando eles não podem ser discutidos, prevalece a perspectiva de um determinado grupo, excluindo os demais.;

Em nota, o MEC afirmou que as movimentações de pessoal e de reorganização administrativa envolveram cargos e funções de confiança, de livre provimento e exoneração.

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