Estado precisa estar presente

Estado precisa estar presente

» ISA STACCIARINI
postado em 13/03/2019 00:00
 (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)


Eleito deputado distrital, mas licenciado do cargo para assumir a Administração Regional de Ceilândia, o delegado Fernando Fernandes pretende voltar ao Legislativo no segundo semestre. ;Combinei com o governador de assumir a administração durante o SOS DF, no primeiro semestre do ano e, no segundo semestre, ou até antes, estarei de volta à Câmara Legislativa para tocar projetos que dizem respeito à segurança e educação;, afirmou, em entrevista ao programa CB.Poder, parceria do Correio com a TV Brasília.

Fernandes ressaltou que como parlamentar quer dar atenção a projetos que envolvem educação, principalmente em tempo integral, além de disponibilizar emendas para a área com foco em construção de escolas em áreas periféricas, como o Condomínio Porto Rico, em Santa Maria; a Chácara Santa Luzia, na Estrutural, e Setor Habitacional Sol Nascente e o Pôr do Sol, em Ceilândia. Ele também defende o modelo de instituições de ensino militarizadas. ;Onde há presença do policial, o traficante não atua, o usuário também não, a disciplina volta, não há ameaças nem agressões contra professores e servidores. No fim das contas, todos estão ganhando com a disciplina impetrada.;



O que o levou a assumir a Administração de Ceilândia
sem nem assumir o mandato na
Câmara Legislativa?
Assumi o mandato de deputado distrital, participei das primeiras votações, da escolha da mesa diretora, das comissões permanentes e quando estávamos em recesso parlamentar, em 3 de janeiro, recebi um telefonema do governador para assumir a Administração de Ceilândia, uma vez que é a maior região administrativa do Distrito Federal e ele estava com dificuldade em escolher um nome de consenso.

O senhor pretende voltar à Câmara Legislativa?
Sim.

O seu aceite para assumir o cargo de administrador regional
pode ser um componente político pensando em 2022?
Não, porque foi algo de surpresa. Não foi nada combinado.

Como foi se deparar com problemas da cidade, de
competência da administração, com questões muito
diferentes que o senhor estava acostumado na sua área policial?
Fui chefe das quatro delegacias de Ceilândia e enxergo Ceilândia com outros olhos, como o de prevenção ao crime, atento a gangues, a traficantes e a criminosos em geral. Quando assumi a administração, o olhar passou a ser diferenciado em relação a esses problemas, mas estamos tentando colocar o mesmo ritmo do trabalho de policial na administração, como o trabalho de rua, muito próximo à população, com o trabalho de rua, vendo de perto as dificuldades e tentando dar uma rápida resposta à população.

Como o senhor consegue contribuir para resolver esses
problemas, principalmente em relação à criminalidade?
Tiveram algumas polêmicas de prisões que andei fazendo em Ceilândia, de traficantes e usuários, dentro de escolas e nos arredores. Como administrador, eu e minha equipe fomos analisar problemas em algumas instituições de ensino, como mato alto e poda de árvores e, chegando lá, nos deparamos com essa situação de marginais infiltrados entre os alunos, oferecendo drogas, usando drogas e traficantes atuando nos arredores dessas escolas, na escola classe, fundamental e médio. Portanto, não podíamos fazer vista grossa e deixar de agir. Inclusive porque, mesmo afastado da função de delegado, o Código Penal Brasileiro garante que qualquer situação, em uma situação de flagrante, pode agir e o policial deve.

Nas postagens nas redes sociais, muita gente critica o senhor por saber onde
ficam as grandes
bocas de fumo, os grandes pontos de tráfico da cidade,
e prender apenas usuários, em vez de focar na solução definitiva do
problema. Isso não é ficar enxugando gelo?
Essas prisões aconteceram em razão da vistoria que fizemos nas escolas, a pedido de diretores, como uma parceira para área de limpeza, roçagem de mato, pintura, recuperação de parques, de alambrados. E nessas ações que eu sempre vou junto para verificar a real situação, infelizmente nos deparamos com esse tipo de realidade (de prisões).

O senhor acha que é necessário criar uma nova região
administrativa para o Sol Nascente, como propôs o
governador Ibaneis Rocha?
Não há necessidade. O que é precisa é o Estado ocupar a região. Onde o Estado não vai, o criminoso acaba indo e alcançando, principalmente, o jovem fazendo uma gangue, como encontramos em 2015 o Comando do Sol Nascente, um braço do PCC; além do intitulado CI (Cão dos Infernos) e a OMD (Os Moleques Doidos). Esses grupos agiam como milicianos, extorquindo dinheiro dos comerciantes, cobrando taxas diárias de transporte público e alternativo para rodarem dentro e negociando gás e TV a cabo.

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