Robalinho na briga para suceder Dodge

Robalinho na briga para suceder Dodge

Atual presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, mesmo sem admitir candidatura, é um dos nomes mais fortes na disputa pelo cargo mais alto na PGR. Uma das dúvidas é saber se o Planalto seguirá a lista tríplice da categoria

Leonardo Cavalcanti
postado em 06/05/2019 00:00
 (foto: Minervino Júnior/CB/DA.Press)
(foto: Minervino Júnior/CB/DA.Press)
;Candidato ou não,vou fazer campanha;


Depois de dois mandatos à frente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti deixa o cargo na próxima quinta-feira e, em menos de uma semana, deve assumir um outro desafio: a disputa pela chefia do Ministério Público, com eleição marcada para 18 de junho. Apesar de uma das campanhas mais disputadas desde 2003, Robalinho é um dos favoritos a terminar entre os três primeiros colocados. Há dois pontos importantes, porém. O primeiro é que ele próprio não confirma se vai concorrer. O outro é ainda mais delicado: o presidente Jair Bolsonaro pode simplesmente ignorar a lista tríplice feita pela categoria.

;Não tem decisão sobre isso, mas, mesmo que tivesse, só vou revelar quando deixar o cargo na ANPR;, disse ele, durante entrevista na tarde da última quinta-feira. Robalinho afirma que Bolsonaro nunca disse que não receberia a lista tríplice da ANPR. ;Ele nunca disse que ignoraria a lista, ao contrário. Ele disse que iria receber e considerar. Ele disse que não seguiria se fossem três esquerdistas, que é um conceito difícil de entender em relação ao Ministério Público.; Na entrevista, Robalinho falou da relação conflituosa com a atual procuradora-geral, Raquel Dodge, e dos momentos mais tensos durante os últimos quatro anos ; ele foi reeleito em 2017 ; como o envolvimento de procuradores em escândalos.

Nascido em São Paulo em 1966, Robalinho mudou-se aos quatro meses de idade para o Recife. Graduou-se em economia pela Universidade de Pernambuco em 1986. Entre 1992 e 1994, foi auditor federal de controle externo do Tribunal de Contas da União (TCU) e, entre 1994 e 1999, consultor legislativo da Câmara dos Deputados. Formou-se em direito na Universidade de Brasília, em 1996, onde concluiu mestrado em sigilo bancário em 2005. Ingressou no Ministério Público Federal em 1999. É especialista em lavagem de dinheiro e crime organizado. Atualmente, exerce o cargo de procurador Regional da República, titular do Segundo Ofício Criminal na Procuradoria Regional da República da 1; Região.


O senhor será candidato à vaga de Procurador-geral da República?
Não tem decisão sobre isso. Mas sou bem sincero, mesmo que tivesse uma decisão, eu só vou revelar quando sair do cargo de presidente da ANPR. É uma questão simbólica, sou o presidente, ainda não saí. Mas, ao mesmo tempo, tomei uma série de cuidados. Eu fiz questão de não participar de nenhuma das decisões preliminares sobre a questão eleitoral, sobre a lista tríplice. Estamos num período muito tumultuado, externo e interno. Eu tive um papel de liderança e não me sentiria bem de não participar do processo. Se eu não for candidato, é mais do que provável que eu tenha candidato, que eu debata ideias na campanha. Têm lideranças que preferem se preservar, mas esse nunca foi o meu papel. Em todas as eleições, eu sempre tive candidatos, até em 2011, quando entrei na cúpula da ANPR como vice e depois, como presidente. E, a partir daí, você não pode ter um comportamento que pode separar os colegas.


Ou seja, candidato ou não, o senhor vai fazer campanha;
Exatamente. É por isso que não me meti nas questões eleitorais. Eu vou ter uma semana para decidir, mas vou decidir. Tivemos alterações no nosso estatuto há cerca de um mês. Entre essas alterações, tem uma muito importante. Sempre tivemos uma comissão eleitoral que cuidava da lista tríplice, que recebia pedidos de candidatos, eventuais reclamações, mas era uma espécie de comissão que assessorava a diretoria da ANPR. Agora, essa comissão tem um papel maior, porque está escrito no estatuto que quem conduz a eleição da lista tríplice não é a diretoria da ANPR, nem a minha nem a de Fábio (George Cruz da Nóbrega, o novo presidente, que assume a partir da próxima semana). Quem conduz é a comissão eleitoral. Então, a bola está com a comissão. Ela vai definir o número de debates etc.


Por que o Ministério Público está tão dividido e tenso internamente?
Nicolau Dino, ao desistir da candidatura, falou a mesma coisa, falou de fricções e da necessidade de se unir. É natural que você enfrente, nada que me dê temor. Até certo ponto, isso é normal. Eu acredito muito no espírito público de todos aqui dentro, e que, ao fim e ao cabo, estaremos todos juntos em torno da lista tríplice, com algumas poucas exceções. Há dois anos isso também foi enfrentado. Naquele período, todas as semanas eram publicadas matérias dizendo que a lista tríplice não iria ocorrer. E com declarações de pessoas próximas ao Temer, como o ministro Eliseu Padilha. Isso com o Temer dizendo que respeitaria a lista tríplice. Aí começaram as investigações e as especulações sobre a lista começaram. Toda mudança de governo gera essas tensões. O presidente Bolsonaro deu uma declaração falando da sua independência. As pessoas não leram a declaração inteira, mas ela provocou um certo frisson. Ele disse que a maior parte da carreira era excelente, ;vou receber a lista, vou considerar a lista;. Ele nunca disse que não receberia, mas ;me reservo o direito de não seguir a lista, se vierem três esquerdistas;. É claro que eu preferia que ele não tivesse dito isso e assumisse um compromisso mais forte com a lista, mas foi isso que ele falou. Ele nunca disse que ignoraria a lista, ao contrário. Ele disse que iria receber e considerar. Ele disse que não seguiria se fossem três esquerdistas, que é um conceito difícil de entender em relação Ministério Público.


Por quê?
Veja o caso da lista de 2013, se você olhar dentro do espectro político tradicional, foi a lista mais à esquerda dentro do MP. Tinha duas pessoas com ligação orgânica com forças progressistas e da sociedade civil, não no aspecto político-partidário: doutoras Ela Viecko e Deborah Duprat. O Rodrigo Janot, sem nenhum demérito, é apenas uma ponderação, era o menos de esquerda dos três. O governo era de esquerda, a presidente era uma senhora de esquerda, era mulher, mas escolheu um homem menos à esquerda dos três concorrentes, para você ver como as escolhas do Ministério Público são mais complexas do que parecem. Mas a declaração do presidente Bolsonaro atiça a ideia de as pessoas procurarem outros caminhos. Ideias que sempre existiram. Veja o procurador Augusto Aras. Fazer críticas à lista e dizer

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