Nas entrelinhas

Nas entrelinhas

por Leonardo Cavalcanti leonardocavalcanti.df@dabr.com.br
postado em 06/05/2019 00:00



A lógica própriados bolsonaros

Por mais amalucadas e agressivas que sejam determinadas declarações do governo Jair Bolsonaro ; incluindo ministros, é bom lembrar ;, sempre há um analista a tentar ver sentido estratégico no capitão reformado e equipe. Depois da vitória do candidato do PSL, políticos e cientistas políticos, até então descrentes da força do ex-deputado, tentam ser mais comedidos quando o assunto descamba para as trapalhadas. Como não conseguiram prever a vitória do hoje presidente, ficam sempre na dúvida sobre os efeitos de determinada afirmação ou tuitada. Mas há casos óbvios de desgastes.

Veja o caso do ministro da Educação, @AbrahamWeint, por exemplo. Antes de uma ação embasada em números e alguma lógica de políticas públicas, o professor estabeleceu um corte de 30% em três centros de pesquisas, incluindo a Universidade de Brasília (UnB). Falava algo de punição por balbúrdia, algo que por si só é confuso, como de resto o próprio ministro se mostrou ao tentar justificar as notas baixas tiradas por ele nos primeiros semestres na Universidade de São Paulo (USP). É tudo tão constrangedor nas imagens do homem falando de traumas, que o melhor é parar por aqui no episódio lamentável das justificativas.

Fragilidades

Depois, @AbrahamWeint ;fez que foi mas não foi; e aumentou o número de federais atingidas. A própria medida era por si só contraditória, mostrando a fragilidade da política. Mas é um tanto pior. Determinadas ações do governo Bolsonaro ; incluam todos os participantes, de escalões superiores e inferiores, ninguém está num time pela metade ; são motivadas pelo ódio e pelo preconceito. É o caso do corte das verbas nas universidades. Não se tinha ideia das consequências das reduções orçamentárias, afinal, esqueça qualquer avaliação de análise de risco de determinada medida. O mínimo que se espera de um gestor público é tentar, a partir de montagem de cenários, entender os possíveis efeitos de uma decisão. Esqueça, talvez @AbrahamWeint não tenha assistido a tais aulas durante a experiência acadêmica iniciada de maneira capenga.

Qualidade

Em meio à gritaria de ministros folclóricos na Esplanada, há uma dificuldade a ser considerada pelo governo federal. Por sorte, boa parte da elite empresarial e intelectual deste país estudou em universidade pública - e sabe da importância para a construção de políticas. Não vai ser uma ação tão fácil quanto o senhor ministro acredita. Depois dos ataques à filosofia e à sociologia, @AbrahamWeint e Bolsonaro buscam deformar avanços acadêmicos, por mais que se possa questionar erros dramáticos em gestões anteriores. O fato é que não se faz política com ódio. Quanto mais o governo Bolsonaro estica a corda com ações ideológicas e partidárias ; sem esquecer a campanha ;, mais se aproxima do caos na hipótese das políticas econômicas e de segurança pública demorarem ou não surtirem efeitos pretendidos.

Estados Unidos

Tais ações temerárias podem ser vistas na política internacional, que, em vez de buscar uma nação, busca uma ideologia, um apoiador, no caso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O desgaste pode, assim, vir de um prefeito de Nova York. Bill de Blasio divulgou comentários por meio de rede social em que ironiza o cancelamento da visita de Bolsonaro aos EUA. Bolsonaro deveria ser homenageado pela Câmara de Comércio Brasil-EUA. Os donos dos locais selecionados para o evento se recusaram a recebê-lo. Empresas que patrocinam o evento também desistiram da empreitada. Para o prefeito democrata, Bolsonaro ;aprendeu do jeito difícil que nova-iorquinos não fecham os olhos para a opressão;. ;Nós expusemos sua intolerância. Ele correu. Não fiquei surpreso ; ;valentões; geralmente não aguentam um tranco. Seu ódio não é bem-vindo aqui;, afirmou ele.

Se Bolsonaro fez algo correto foi não responder ao prefeito. Rodrigo Maia e Hamilton Mourão ; presidente da Câmara e vice-presidente da República ; facilitaram a vida dele ao rebaterem Blasio. O problema é que o mal-estar ficou exposto. Tudo por causa da relação umbilical e desnecessária com Trump.



O mínimo que se espera de um gestor público é tentar, a partir de montagem de cenários, entender os possíveis efeitos de uma decisão. Isso parece não ser feito pelo governo Bolsonaro

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