Pupilo de Doria assume diretório em SP

Pupilo de Doria assume diretório em SP

postado em 06/05/2019 00:00
São Paulo ; O domínio do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), sobre a máquina partidária tucana foi reforçado ontem, em convenção estadual da legenda, que ocorreu na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Pupilo dele, Marco Vinholi assumiu o diretório paulista do partido, prometendo uma guinada liberal. O objetivo é reeleger o prefeito Bruno Covas na capital do estado e focar nas eleições municipais de 2020. ;O partido avalia que terá condições de lançar candidatos em 600 das 645 cidades de São Paulo;, disse, ao assumir o posto.

Os aliados de Doria ; principal liderança tucana da atualidade e nome cotado pela legenda para disputar a Presidência da República em 2022 ; defendem uma pauta de renovação política e expulsão de quadros partidários pegos em esquemas de corrupção. No último pleito, a sigla perdeu espaço no Congresso Nacional. Na Câmara, o número de deputados tucanos caiu de 54 para 29 e o de senadores, de 6 para 4.

No início de seu discurso na convenção, o governador de São Paulo foi recebido com gritos favoráveis a uma eventual candidatura à presidência: ;Brasil, pra frente, Doria presidente!”. Em seu discurso, fez acenos aos fundadores do PSDB que estavam presentes, o senador José Serra e o ex-governador de SP Geraldo Alckmin. Ao falar de renovação, salientou a juventude das lideranças tucanas das quais se rodeou: Vinholi tem 34 anos, Fernando Alfredo, 36; Macris, 36; Covas, 39 e Araújo, 44.

Candidato derrotado nas eleições presidenciais, Alckmin foi recebido com aplausos pela plateia e foi caracterizado como ;um político honesto; nos discursos de Doria e de Covas. Além do ex-governador e de Serra, o evento ainda contou com a presença de outro quadro histórico: José Aníbal, ex-presidente do Instituto Teotônio Vilela.

No fim de sua fala, uma foto sua foi erguida no meio da multidão e a música do Ayrton Senna foi tocada ao fundo, embalando a fala de Doria, que citou o piloto como um ;exemplo de brasilidade;. Em entrevista a jornalistas após o discurso, ele afirmou que as conversas de fusão de seu partido, o PSDB, com o DEM só serão iniciadas após a convenção nacional da legenda, marcada para o dia 31.

Eleições

;Essa conversa só vai ser iniciada depois da eleição da nova executiva nacional do PSDB. A minha posição pessoal é que nós temos que ter partidos fortes, diante das novas eleições municipais, e também nas eleições gerais de 2022. A nova lei eleitoral impulsiona para termos partidos fortes e não fragmentados;, alegou o governador de São Paulo.
Questionado sobre se caberia a social-democracia no partido, que é defendida por Geraldo Alckmin, Doria afirmou que o PSDB não quer ;populismo de direita, nem de esquerda;. ;Nossa posição é de centro;, frisou. Segundo o presidente municipal da sigla, Fernando Alfredo, a estratégia de aumentar a capilaridade do partido em 2020 visa a ajudar o partido a retornar ao Palácio do Planalto nas eleições de 2022. Outro tucano alinhado a Doria, o ex-deputado Bruno Araújo, vai assumir o diretório nacional do PSDB no fim deste mês.

Para o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, tucanos condenados por corrupção devem ser excluídos da sigla. O presidente da Alesp, Cauê Macris, vai além: defende a expulsão também daqueles que foram pegos em gravações ou cuja participação em esquemas é ;muito clara;, como o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que foi ovacionado na convenção de seu Estado no sábado. ;Acho que o Aécio tem que ser expulsos sim;, disse à imprensa sobre o candidato tucano nas eleições presidenciais de 2014.

Perguntado sobre o tema, Doria disse que existe um problema que não pode ser ignorado, mas que só dirá se é favorável à expulsão ou não depois que Bruno Araújo assumir a presidência nacional do PSDB.



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