Direto da lavoura

Direto da lavoura

postado em 06/05/2019 00:00

Proprietários de uma barraca de frutas e verduras, Luila Carla Nunes Rodrigues, 20, e Carlindo Alves Martins, 40, se conheceram no Gama. Ele, vindo do Piauí, ela, do DF. ;A gente sempre mexeu com a produção agrícola. Escolhemos os melhores produtos para os clientes voltarem;, conta Luila. ;Dá para viver bem;, garante. Alguns produtos são comprados na Ceasa para revender, mas a maioria o casal busca na roça. ;Vamos nas chácaras da região, conversamos com os produtores e compramos;, explica.

Carlindo é o que Renata Cabus, engenheira agrônoma da Emater-Gama, chama de pirangueiro, aquele que não produz, mas compra e revende. ;Muitos produtores não têm condição de transporte, então o pirangueiro passa na porta e pega a produção dele. É uma peça importante na cadeia;, reconhece.

Segundo a engenheira, a olericultura (cultivo de hortaliças) é a principal atividade agrícola da região. São 400 hectares plantados por 100 produtores que geram R$ 30 milhões por ano. ;A maior produção é de folhosas, como alface, rúcula, brócolis. A produção local fornece para o Distrito Federal e até grandes redes como Carrefour e Oba;, explica.

A maioria dos produtores, no entanto, vende em feiras. ;Os grandes mercados exigem práticas que necessitam de investimentos altos e eles não têm recursos;, explica. O cultivo protegido, por exemplo, começa a despontar. ;As estufas em túnel alto dão uma qualidade melhor para o produto. Há dois anos, tinha no máximo um ou dois produtores que usavam a técnica. Hoje, já são 10;, diz Renata. ;Com produto de mais qualidade, o preço que eles conseguem é melhor.;

Agricultura e comércio vivem lado a lado no Gama, explica Renata. As feiras são fundamentais para venda dos produtos e também para garantir trabalho e renda para a população local. Jéssica da Conceição Silva, 20 anos, mora no Gama e procura emprego, enquanto estuda para conseguir entrar na faculdade. Sem trabalho, vive de bicos. ;Eu consigo diárias de R$ 30 a R$ 50 nas feiras;, conta. De sexta a domingo, trabalha para Josué Souza Santana, morador do Novo Gama, que toca uma barraca com cereais. ;Trago produtos do Pará e do Maranhão para as feiras do DF;, diz ele.

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