A fé move a economia

A fé move a economia

postado em 06/05/2019 00:00

Fundadora do Vale do Amanhecer, Tia Neiva estabeleceu o templo da doutrina em Planaltina há 50 anos, no início da história do Distrito Federal. Católica, começou a ver espíritos aos 33 anos e chegou a pensar que estava louca, conta o neto Jairo Zelaya, Trino Herdeiro Elário. ;Foi a um psiquiatra, mas acabou vendo o espírito do pai do médico durante a consulta;, afirma.

O neto explica que Tia Neiva só aceitou o dom quando viu o espírito de São Francisco de Assis, que a orientou a fundar uma cidade. Em 1959, criou uma comunidade na Serra do Ouro, em Alexânia, e depois a transferiu para Taguatinga. Foi só em 1969 que o templo da doutrina chegou à Planaltina. ;Ela comprou uma fazendinha e, à medida que as pessoas conheciam e queriam se estabelecer, ela doava lotes;, acrescenta.

Assim surgiu uma cidade exclusiva dos médiuns, o Vale do Amanhecer. A doutrina já iniciou mais de 1 milhão de pessoas de têm templos espalhados por todo o mundo. Tia Neiva morreu em 1985 e, em 1990, o governo fez um loteamento próximo ao local, chamado Vila Pacheco. ;Hoje é tudo a mesma coisa, tem comércio e igrejas de outras religiões;, diz Jairo.

Atualmente, são cerca de 30 mil habitantes. A cidade se organizou para receber 12 mil visitantes por mês, tem pousadas, restaurantes e, sobretudo, costureiras, lojas de tecidos e armarinhos. Isso porque a religião se mantém de doações espontâneas e das indumentárias e armas (como são chamados alguns adereços específicos). ;Conforme a pessoa vai avançando na doutrina, vai adquirindo as roupas e os coletes;, diz.

Jairo ressalta que grande parte dos moradores vive de Bolsa Família e de doações, mas muitos trabalham no Distrito Federal. ;Alguns são servidores públicos, como eu, que trabalham no Plano, mas há comerciantes, empresários. O que os faz morar no Vale é o amor à doutrina.;

Chamado

Pernambucana, Jane Alcântara, 59, morou muitos anos no Rio de Janeiro, onde exercia o ofício de costureira. Há sete anos, no entanto, tocada pela doutrina do Vale do Amanhecer, visitou o templo. O que era para ser uma estadia de 15 dias se tornou definitiva. ;A espiritualidade me disse para ficar;, conta.

Adaptar o trabalho à customização da indumentária usada pelos adeptos da doutrina foi fácil. ;Eu já trabalhei para lojas como Taco e C. Então, não tive problemas para aprender. Além disso, costuro para fora, faço consertos, vestidos, o que precisar;, diz. ;Já tivemos dias melhores. Com a crise, o aperto foi grande, o pessoal só estava reformando as roupas. Passei a trabalhar basicamente para pagar as contas, comer e me vestir, porque gosto de andar arrumada;, ressalta.

Jane cobra R$ 850 por uma indumentária completa da doutrina. Para trocar as armas, R$ 70, e reformar um vestido de festa, R$ 70. ;Hoje, tenho clientes até de Portugal, de todo o Brasil, por causa da doutrina. O pessoal de fora encomenda, manda as medidas, eu faço e entrego quando eles vêm para as consagrações ou feriados, como o da Páscoa;, explica.

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